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Pesquisas e Estudos

Estudo associa vacina contra herpes-zóster a menor risco de demência

Estudo com mais de 500 mil idosos associou a vacina contra herpes-zóster a menor risco de demência, mas pesquisadores apontam limitações.

Lucas GodoyPorLucas Godoy 2 min de leitura
Brown University School of Public Health
Foto: Kenneth C. Zirkel/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
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Pesquisa com mais de 500 mil pessoas acima de 66 anos encontrou redução do risco entre os vacinados, mas tem limitações metodológicas.

Um estudo liderado por especialistas da Escola de Saúde Pública da Universidade Brown, nos Estados Unidos, associou a vacinação contra o herpes-zóster a um risco menor de demência em idosos. A pesquisa foi publicada no periódico Annals of Internal Medicine e analisou registros de pessoas sem diagnóstico prévio de demência.

Os pesquisadores avaliaram dados de mais de 500 mil pessoas com mais de 66 anos e compararam quem havia recebido ao menos uma dose da vacina com quem não tinha sido imunizado. Segundo o estudo, houve redução no risco de desenvolver demência no grupo vacinado, mas o desenho da pesquisa não permite concluir sozinho que a vacina seja a causa dessa proteção.

Como o estudo foi feito

A equipe usou informações de pacientes que passaram por clínicas ou instituições de saúde após outras condições ou longas internações, entre 2017 e 2022. Os autores buscaram simular um estudo randomizado a partir desses registros e de pesquisas observacionais anteriores sobre a possível relação entre a vacina e a proteção cerebral.

InfográficoOs números do estudo

Pesquisa avaliou a associação entre vacinação e demência em idosos.

mais de 500 mil
participantessem demência no início
  • mais de 500 milParticipantespessoas avaliadas
  • mais de 66 anosIdadegrupo analisado
  • 2017 a 2022Registrosperíodo dos dados
  • 50 anosIndicação SBImvacinação de rotina
Fonte: Escola de Saúde Pública da Universidade BrownSaúde em Família

O herpes-zóster é causado pelo mesmo vírus da catapora. Depois da infecção inicial, o vírus pode permanecer inativo por décadas e voltar a se manifestar, sobretudo em pessoas com baixa imunidade, grupo que inclui idosos.

Limitações e possível relação com o cérebro

Quando é reativado, o vírus pode causar o chamado cobreiro, com lesões na pele, coceira, bolhas e dor intensa. De acordo com o neurologista Augusto Penalva de Oliveira, do Hospital Israelita Albert Einstein, o vírus também pode atingir o sistema nervoso central e provocar uma inflamação crônica associada a danos cerebrais.

Oliveira afirmou que a pesquisa tem limitações, pois foi baseada em registros que podem apresentar imprecisões nos diagnósticos e porque parte dos pacientes da amostra total não pôde ser avaliada. Ainda assim, ele considera que há potencial para um efeito protetor da vacina, e citou estudos que relacionam o vírus também a quadros vasculares, como o AVC.

Quem pode receber a vacina

Segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações, a vacinação contra herpes-zóster é indicada de rotina para:

  • adultos a partir dos 50 anos;
  • pessoas que já tiveram herpes-zóster;
  • pacientes que buscam a imunização na rede privada.

A SBIm informa que, por enquanto, a vacina está disponível apenas na rede privada.

Foto de capa: Kenneth C. Zirkel/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

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