Pesquisa com adolescentes de 10 a 14 anos encontrou maior proteção após a segunda aplicação.
Duas doses da vacina Qdenga reduziram em 87,9% o risco de internação por dengue entre adolescentes de 10 a 14 anos no estado de São Paulo, segundo um estudo publicado na revista científica The Lancet. A pesquisa analisou dados de 2024 e 2025 para medir a proteção oferecida pela vacina após sua aprovação e uso na população.
A faixa etária estudada foi escolhida porque era a elegível para receber a vacina pelo Programa Nacional de Imunizações naquele momento, explicou à revista Crescer o infectologista Julio Croda, pesquisador da Fiocruz e um dos autores do trabalho. Os resultados se referem a esse grupo e não significam que uma pessoa vacinada esteja totalmente protegida contra a doença.
Proteção depois de cada dose
Os pesquisadores avaliaram 166.390 testes de dengue feitos em adolescentes, dos quais 65.365 deram positivo e 101.025, negativo. A efetividade estimada foi maior após a segunda aplicação tanto contra casos sintomáticos quanto contra hospitalizações.
Resultados do estudo com adolescentes de 10 a 14 anos em São Paulo.
- Casos sintomáticosEfetividade estimada59,2%73,1%
- HospitalizaçõesEfetividade estimada74,6%87,9%
| Resultado avaliado | Uma dose | Duas doses |
|---|---|---|
| Casos sintomáticos | 59,2% | 73,1% |
| Hospitalizações | 74,6% | 87,9% |
A Qdenga é aplicada em duas doses, com intervalo de três meses. O estudo observou proteção já depois da primeira aplicação, mas encontrou um resultado mais alto com o esquema completo.
Circulação de diferentes sorotipos
A proteção se manteve durante o acompanhamento, de aproximadamente um ano, segundo a pesquisa. Em São Paulo, os sorotipos DENV-1 e DENV-2 predominaram em 2024; em 2025, aumentou a circulação do DENV-3. Os pesquisadores não observaram queda expressiva da proteção nesse período, de acordo com Croda.
O infectologista afirmou que o acompanhamento continuará para avaliar a efetividade da vacina caso outros sorotipos passem a predominar. Ele também relatou que há pesquisas em andamento com outras faixas etárias, mas disse que ainda são necessários mais dados antes da publicação dos resultados finais desses estudos.
Com informações de revistacrescer.globo.com.
Foto de capa: Agência Brasília from Brasília, Brasil/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

