Levantamento sobre Crohn e retocolite analisa atendimentos na rede pública entre 2012 e 2025; resultados ainda são preliminares.
A prevalência de doenças inflamatórias intestinais entre pacientes atendidos pelo SUS cresceu 427% entre 2012 e 2025, segundo um estudo apresentado na sexta-feira (25) no Congresso Brasileiro de Coloproctologia, em Balneário Camboriú (SC). O levantamento reúne casos de doença de Crohn, retocolite ulcerativa e colite indeterminada.
Os pesquisadores apontam duas possíveis explicações para a alta: mais pessoas podem ter desenvolvido essas doenças, e a melhora do diagnóstico pode ter revelado casos antes não identificados. Segundo o coloproctologista Abel Quaresma, não é possível atribuir o aumento a uma causa específica com os dados disponíveis.
O que mostram os dados
A pesquisa identificou 337.539 pacientes com doenças inflamatórias intestinais atendidos pelo SUS. A taxa registrada por 100 mil habitantes mudou ao longo do período analisado:
Dados do levantamento apresentado no Congresso Brasileiro de Coloproctologia
- 427%Aumento da prevalênciaEntre 2012 e 2025
- 337.539Pacientes identificadosAtendidos pelo SUS
- 158Taxa em 2025Casos por 100 mil habitantes
| Ano | Casos por 100 mil habitantes |
|---|---|
| 2012 | 30 |
| 2016 | 64,6 |
| 2020 | 100 |
| 2025 | 158 |
Os pesquisadores usaram registros do DataSUS, que não incluem pessoas atendidas exclusivamente pela saúde suplementar. Quaresma afirma que, por isso, o levantamento pode não captar todos os casos no país. Os resultados apresentados no congresso são preliminares e ainda não passaram por revisão por pares.
Como as doenças se manifestam
Segundo o levantamento, os pacientes identificados foram distribuídos em três grupos:
- Cerca de 207 mil com retocolite ulcerativa;
- 99 mil com doença de Crohn;
- Aproximadamente 30 mil com colite indeterminada.
A retocolite afeta o reto e o intestino grosso; a doença de Crohn pode atingir outras partes do aparelho digestivo. Ambas são crônicas e podem causar diarreia persistente, às vezes com sangue, dor abdominal, urgência para evacuar, perda de peso e cansaço. Na colite indeterminada, não foi possível definir qual das duas doenças corresponde ao quadro.
Tratamento e acompanhamento
As doenças não têm cura, mas podem ser controladas com acompanhamento médico, de acordo com os especialistas citados na reportagem. O tratamento pode incluir medicamentos convencionais e, para pacientes que não respondem adequadamente a eles, imunobiológicos. O SUS oferece essas terapias conforme seus protocolos de atendimento.
Sintomas persistentes, especialmente diarreia, sangue nas fezes, dor abdominal, perda de peso ou urgência para evacuar, devem ser avaliados por um profissional de saúde. Os pacientes podem passar por períodos de crise e de remissão.
Com informações de eshoje.com.br.
Foto de capa: Trustable/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

