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Doenças e Sintomas

Doenças inflamatórias intestinais crescem cinco vezes no Brasil em 13 anos

Estudo com dados do SUS aponta que doenças inflamatórias intestinais passaram de 30 para 158 casos por 100 mil habitantes no Brasil.

Lucas GodoyPorLucas Godoy 2 min de leitura
Balneário Camboriú
Foto: Trustable/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
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Estudo com dados do SUS aponta alta de casos de doença de Crohn e retocolite ulcerativa entre 2012 e 2025.

O número de pessoas com doenças inflamatórias intestinais no Brasil passou de 30 para 158 casos por 100 mil habitantes entre 2012 e 2025, segundo estudo apresentado no 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia, em Balneário Camboriú (SC). O levantamento analisou registros do Sistema Único de Saúde (SUS).

As enfermidades pesquisadas incluem a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. No mesmo período, a quantidade anual de novos diagnósticos aumentou de 9,35 para 12,34 casos por 100 mil habitantes, de acordo com os pesquisadores.

O que aponta o levantamento

O estudo foi conduzido pelos médicos Abel Quaresma, da Universidade do Oeste de Santa Catarina, e Paulo Kotze, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, com participação de pesquisadores de instituições brasileiras e da Universidade de Calgary, no Canadá.

As doenças inflamatórias intestinais são autoimunes e provocam uma inflamação crônica porque o sistema imunológico passa a atacar células e tecidos do próprio organismo. Segundo Quaresma, elas têm múltiplos fatores associados e ainda não há uma causa única definida.

Pesquisas anteriores identificaram relação genética com o desenvolvimento dessas doenças, mas essa característica não está presente em todos os pacientes. Para o pesquisador, aspectos ambientais também estão envolvidos, entre eles mudanças nos hábitos alimentares e a poluição.

Projeção para 2035

A pesquisa estima que os novos casos possam chegar a 22,7 por 100 mil habitantes em 2035. Se a projeção se confirmar, a quantidade de pessoas com doenças inflamatórias intestinais poderá alcançar 264 por 100 mil habitantes, alta de 67% em relação a 2025.

InfográficoAvanço das doenças intestinais

Dados observados e projeções apresentadas no congresso.

  1. 30 por 100 mil habitantes2012pessoas com DII
  2. 158 por 100 mil habitantes2025pessoas com DII
  3. 22,7 por 100 mil habitantes2035projeção de novos casos
  4. 264 por 100 mil habitantes2035projeção de pessoas com DII
Fonte: Sociedade Brasileira de ColoproctologiaSaúde em Família

Quaresma afirmou que alimentos ultraprocessados têm aditivos que podem contribuir para essas enfermidades. Ele citou conservantes, corantes e espessantes como substâncias presentes nesses produtos.

Tratamento exige acompanhamento prolongado

Segundo o especialista, não há cura para a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. Os tratamentos buscam controlar a inflamação e os sintomas, e os pacientes, muitas vezes diagnosticados ainda jovens, precisam de acompanhamento por décadas.

O pesquisador informou que o custo dos medicamentos pode chegar a R$ 500 mil por ano, por paciente. A expectativa apresentada no congresso é que, a partir de 2040, as doenças inflamatórias intestinais se tornem um problema de saúde pública no país.

Foto de capa: Trustable/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

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