O levantamento não prova que o procedimento causou as alterações; oftalmologistas explicam os riscos e os cuidados na aplicação.
Um estudo apresentado em setembro de 2026 no congresso da European Society of Cataract and Refractive Surgeons encontrou sinais de alteração nas glândulas que ajudam a lubrificar os olhos em 85% das mulheres que haviam feito extensão de cílios pelo menos dez vezes. O resultado não permite afirmar que a extensão causou o problema, mas chama atenção para os cuidados com a cola, a higiene das pálpebras e o peso dos fios artificiais.
Na extensão de cílios, fios artificiais são fixados perto dos olhos para aumentar o comprimento e o volume dos cílios naturais. Segundo Emilio Suzuki, presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, aplicações frequentes repetem a exposição à cola e mantêm os fios naturais sob tração. A manutenção das técnicas com adesivo costuma ocorrer a cada 20 ou 30 dias. Dor, vermelhidão intensa, sensibilidade à luz ou mudança na visão após a aplicação exigem avaliação médica.
Quais são os riscos da extensão de cílios?
A extensão de cílios pode causar irritação, inflamação das pálpebras e outros problemas oculares, de acordo com os oftalmologistas ouvidos pelo Estadão. Os sintomas variam conforme a região afetada e a causa do desconforto.
Achados apresentados em setembro de 2026 e orientações relatadas por oftalmologistas
- 85%Alteração glandularParticipantes com pelo menos dez aplicações
- 24 das 25Ácaro encontradoMulheres com cílios analisados
- 18Irritação nas pálpebrasEntre as mulheres com ácaro encontrado
- 20 ou 30 diasManutenção usualNas técnicas que usam cola
- 24 horasSem molharApós a aplicação
| Possível problema | Sinais relatados |
|---|---|
| Irritação | Vermelhidão, ardência, coceira ou inchaço |
| Blefarite | Coceira, descamação e ardência nas pálpebras |
| Olho seco | Ressecamento, ardência e sensação de areia |
| Lesão na córnea | Dor intensa, sensibilidade à luz e visão embaçada |
| Infecção | Secreção, inchaço, dor ou vermelhidão |
| Quebra ou queda dos cílios | Perda dos fios naturais antes do tempo |
O excesso de volume pode dificultar a limpeza e favorecer o acúmulo de resíduos, explica Suzuki. Extensões longas ou pesadas também exercem tração contínua sobre os cílios naturais.
O que precisa para fazer extensão de cílios com segurança?
Antes da aplicação, a oftalmologista Renata Rabelo recomenda avaliar a saúde dos olhos, sobretudo quando já existe algum problema ocular. Segundo ela, o exame oftalmológico permite discutir se a pessoa pode passar pelo procedimento e quais cuidados deve adotar.
A aplicação deve ser feita por um profissional qualificado, com materiais adequados e sem excesso de fios, conforme as orientações relatadas pelo Estadão. Suzuki alerta que nenhuma cola é totalmente livre de riscos: o adesivo deve ser usado na menor quantidade possível, sem contato com a pele ou os olhos. Pessoas com olho seco grave, inflamações, alergia ocular ou histórico de reação a cosméticos e colas precisam de cautela antes de colocar as extensões.
Quando faz extensão de cílios, pode molhar?
A orientação relatada pelos especialistas é não molhar os cílios nas primeiras 24 horas após a aplicação. Também é recomendado não coçar nem esfregar os fios e evitar rímel e demaquilantes.
Quem usa lentes de contato deve retirá-las antes de colocar ou remover as extensões, orienta Suzuki. As lentes só devem voltar aos olhos depois que o procedimento terminar e não houver ardência, vermelhidão ou lacrimejamento.
O que significa extensão de cílios?
Extensão de cílios é um procedimento cosmético que acrescenta fios aos cílios naturais para mudar seu comprimento, curvatura ou volume. Segundo o material de referência sobre o procedimento, o método principal fixa as extensões aos fios naturais com adesivo, sem contato com a pálpebra.
Essa proximidade com os olhos ajuda a explicar por que a aplicação e a retirada exigem cuidado. A reportagem do Estadão alerta que colas inadequadas, como as usadas para reparos domésticos, não devem ser aplicadas nos cílios.
O que o estudo sobre uso frequente encontrou?
O estudo apresentado em setembro de 2026 identificou sinais de disfunção das glândulas de Meibômio em 85% das participantes que haviam feito extensão de cílios ao menos dez vezes. Essas glândulas produzem a parte oleosa da lágrima, que ajuda a evitar sua evaporação.
Em outra etapa, os pesquisadores encontraram o ácaro Demodex folliculorum em 24 das 25 mulheres que usavam extensões regularmente e tiveram os cílios analisados; 18 delas apresentavam sinais de irritação nas pálpebras. A presença do ácaro é comum e, por si só, não significa doença. O estudo também não demonstra que a extensão tenha provocado as alterações observadas.
Foto de capa: Maya-Anaïs Y./Wikimedia Commons (CC BY 2.0)




