Estudos associam poluentes a alterações nas lágrimas, mas ainda não definem o peso da poluição no surgimento da doença.
A exposição à fumaça, poeira, fuligem e gases poluentes pode irritar os olhos e agravar o olho seco. Uma análise publicada em janeiro de 2026, com participação de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), encontrou uma associação entre poluentes, sintomas oculares e alterações nas lágrimas. Os autores afirmam, porém, que faltam estudos para medir quanto a poluição contribui para o surgimento da doença.
Ardência, coceira, vermelhidão, sensação de areia nos olhos e incômodo com a claridade estão entre os sintomas, segundo a oftalmologista Patrícia Mencaroni, da Lumini Oftalmologia. Reduzir a exposição à poluição, passar menos tempo diante de telas e evitar longos períodos sob ar-condicionado pode ajudar. Se a irritação persistir ou voltar com frequência, a orientação da médica é procurar um oftalmologista.
O que fazer para aliviar o olho seco
Os cuidados dependem do ambiente e da causa do desconforto. Patrícia recomenda reduzir o contato com poluentes quando possível e observar outros fatores que podem ressecar os olhos.
Entrevistados na zona leste; o estudo não mediu o efeito da poluição.
- 582Adultos entrevistadosZona leste de São Paulo
- 24,4%TotalSintomas graves ou diagnóstico anterior
- 26,9%MulheresSintomas graves ou diagnóstico anterior
- 18,2%HomensSintomas graves ou diagnóstico anterior
| Situação | Cuidado indicado |
|---|---|
| Poluição do ar | Reduzir a exposição quando possível |
| Uso prolongado de telas | Diminuir o tempo diante delas |
| Ar-condicionado | Evitar exposição prolongada |
| Ambiente muito seco | Usar umidificador |
Colírios lubrificantes, também chamados de lágrimas artificiais, podem aliviar o desconforto, mas precisam ser adequados a cada paciente, segundo a oftalmologista. Essas medidas não substituem a avaliação médica quando os sintomas continuam.
Quais são os sintomas de olho seco
Os sinais mais comuns são ardência, coceira, vermelhidão, sensação de areia e sensibilidade à luz, de acordo com Patrícia. O problema não significa, necessariamente, ausência de lágrimas: elas podem estar presentes, mas não proteger bem a superfície dos olhos.
A intensidade varia de pessoa para pessoa. Conforme o material de referência sobre a síndrome do olho seco, os sintomas podem ser passageiros ou frequentes e, em alguns casos, afetar a visão.
O que é a síndrome do olho seco e o que pode causar
A síndrome do olho seco ocorre quando há produção insuficiente de lágrimas ou quando elas evaporam rápido demais, deixando instável a camada que protege o olho. Segundo Patrícia, a poluição pode provocar inflamação e prejudicar essa proteção natural.
O envelhecimento, alterações hormonais, uso prolongado de telas e permanência em locais com ar-condicionado também podem estar relacionados ao problema. A médica explica que olhar para telas reduz a frequência das piscadas, o que interfere na camada de lágrimas.
Como tratar e quando procurar um oftalmologista
O tratamento depende da causa identificada, e lágrimas artificiais são uma opção habitual, conforme o material de referência. O oftalmologista pode avaliar os sintomas e, se necessário, realizar exames para definir a conduta adequada.
A avaliação é especialmente indicada quando a irritação não melhora ou retorna com frequência, mesmo após medidas para aliviar o ressecamento. Patrícia alerta que a persistência dos sintomas pode indicar lesões na superfície do olho que exigem tratamento específico.
O que os estudos mostram sobre olho seco e poluição
Uma pesquisa publicada em 2022 na revista Arquivos Brasileiros de Oftalmologia entrevistou 582 adultos na zona leste de São Paulo. O estudo registrou sintomas graves ou diagnóstico anterior de olho seco em 24,4% dos participantes, mas não avaliou diretamente o efeito da poluição sobre eles.
Já a análise publicada em janeiro de 2026 reuniu pesquisas sobre poluição, condições ambientais e saúde ocular. Seus resultados apontam uma associação com sintomas e alterações nas lágrimas, sem estabelecer com precisão o papel dos poluentes no desenvolvimento da doença.




