Análise de pesquisas em 68 países mostra que os mapas de cobertura vacinal ainda deixam grupos vulneráveis de fora.
Uma análise de estudos sobre vacinação infantil identificou uma lacuna no uso de mapas para localizar crianças que nunca receberam vacinas. O trabalho, divulgado pela Agência Aids em 24 de outubro de 2026, examinou pesquisas feitas em países de renda baixa e média-baixa, onde se concentra a maior parte das crianças sem vacinação.
Os pesquisadores da equipe Reach-out concluíram que o mapeamento da cobertura vacinal avançou, mas poucos estudos buscaram especificamente as chamadas crianças de dose zero. Segundo a reportagem, cerca de 13,5 milhões de crianças no mundo nunca receberam uma vacina.
Como funciona a vacinação infantil
A vacinação infantil estimula o organismo a desenvolver proteção contra doenças infecciosas. Conforme o material de referência sobre vacinação, algumas vacinas exigem mais de uma dose, e os calendários que orientam sua aplicação variam entre os países.
Dados reunidos pela equipe Reach-out sobre o mapeamento da vacinação infantil.
- 102Estudos analisados
- 68Países abrangidos
- um em cada cincoFoco em dose zeroProporção dos estudos analisados
Quem são as crianças de dose zero
A definição depende do indicador usado. Para a Gavi, a Aliança para Vacinas, é de dose zero a criança que não recebeu nenhuma aplicação de vacina; outro critério considera aquelas que não receberam a primeira dose contra difteria, tétano e coqueluche, chamada DTP1, até o primeiro aniversário.
Segundo os pesquisadores, o primeiro critério identifica, no mundo, quase o dobro de crianças em comparação com o segundo. A DTP1 é usada nas comparações internacionais porque seus registros são informados regularmente pelos sistemas de imunização.
O que os dados de vacinação infantil mostram
A equipe Reach-out analisou 102 estudos em 68 países de renda baixa e média-baixa. Apenas um em cada cinco examinou especificamente as crianças de dose zero; os demais trataram da cobertura da vacinação de rotina de forma mais ampla.
Uma média nacional também pode esconder diferenças locais. Segundo uma pesquisa domiciliar realizada no Quênia em 2022, 2,1% das crianças de 12 a 23 meses no país eram de dose zero, mas a proporção passava de 36% nos condados de Mandera e Garissa.
Como os mapas ajudam a encontrar crianças sem vacina
Mapas detalhados podem indicar áreas onde vivem crianças não vacinadas, inclusive locais que não foram alcançados por pesquisas domiciliares. A análise geoespacial usa informações de áreas próximas para estimar a situação desses locais, mas o resultado depende da qualidade dos dados disponíveis.
Segundo a equipe Reach-out, é preciso ir além da identificação de distritos com baixa cobertura e localizar os assentamentos e domicílios onde estão essas crianças. Esse é um dos desafios para alcançar populações em áreas rurais remotas, zonas de conflito, assentamentos urbanos informais e famílias migrantes ou itinerantes.
Por que algumas crianças ficam fora dos registros
As pesquisas domiciliares, muito usadas nos estudos analisados, são realizadas a cada três a cinco anos e não foram planejadas para localizar pequenos grupos de crianças sem vacina. Já os dados coletados continuamente nas unidades de saúde podem oferecer mais detalhes locais, mas também apresentam registros incompletos.
Poucos estudos incluíram grupos afetados por conflitos, refugiados, nômades, migrantes transfronteiriços e moradores de favelas urbanas. Sem informações sobre essas populações, os mapas podem deixar de mostrar justamente as crianças que os programas de vacinação precisam encontrar.
Foto de capa: Yann Forget/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
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