Pesquisa analisou 48 revisões científicas e aponta ações de comunicação, acesso e orientação para enfrentar a hesitação vacinal.
Um estudo publicado em 2026 na revista Epidemiologia e Serviços de Saúde reuniu cinco estratégias para reduzir a hesitação vacinal no Brasil. Desenvolvida pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) em parceria com a Fiocruz Mato Grosso do Sul, a pesquisa analisou 48 revisões sistemáticas publicadas entre 2012 e 2024.
A análise busca orientar políticas de vacinação em um período de recuperação das coberturas no país. Segundo o Ministério da Saúde, houve avanço na imunização infantil, mas parte das vacinas ainda estava abaixo das metas do Programa Nacional de Imunizações (PNI) em 2026.
Como funciona a vacinação
A vacinação estimula o sistema imunológico a desenvolver proteção contra uma doença infecciosa. De acordo com o material de referência sobre vacinação, algumas vacinas exigem mais de uma dose para produzir ou manter essa resposta; os calendários de imunização definem quais são indicadas e quando devem ser aplicadas.
Quais estratégias podem aumentar a vacinação
O estudo identificou ações voltadas tanto à confiança nas vacinas quanto à possibilidade de recebê-las. As medidas podem ser combinadas conforme as necessidades de cada público:
- Comunicar com linguagem acessível, por meios digitais, contato direto e participação de lideranças comunitárias.
- Capacitar profissionais de saúde para orientar a população e esclarecer dúvidas.
- Facilitar o acesso com horários ampliados, unidades móveis e vacinação em escolas, empresas e centros comunitários.
- Combater a desinformação com conteúdo confiável e atuação dos órgãos oficiais nas redes sociais.
- Integrar a vacinação de gestantes ao pré-natal, com orientação e acesso às doses.
A professora Ana Paula da Costa Marques, primeira autora do artigo, afirma que ações combinadas tendem a funcionar melhor do que medidas isoladas. A pesquisa se concentrou em adultos de áreas urbanas e gestantes; por isso, seus resultados não abrangem diretamente populações rurais, ribeirinhas e indígenas.
Como facilitar a vacinação de gestantes
Para gestantes, a pesquisa propõe associar a vacinação ao acompanhamento pré-natal. Entre as iniciativas apontadas estão orientações sobre as vacinas, mensagens de texto, ações educativas e oferta de doses em maternidades.
Segundo Ana Paula, colocar estratégias desse tipo em prática depende das condições locais. Ela cita infraestrutura, custos e acesso à tecnologia entre os obstáculos que precisam ser considerados para não ampliar desigualdades.
Por que a cobertura vacinal ainda preocupa
A cobertura de um conjunto de vacinas básicas caiu de 92% em 2015 para 68% em 2021, segundo especialistas citados pela Tribuna do Sertão. O Ministério da Saúde associa a queda a fatores como dificuldade de acesso, desinformação, desconfiança e menor percepção do risco de doenças preveníveis.
Dados da pesquisa e da cobertura vacinal citados na reportagem
- 48Revisões analisadasPublicadas entre 2012 e 2024
- 15 das 16Vacinas infantis em altaAumento de cobertura em 2024
- 17 pontos percentuaisCrescimento médioCobertura infantil: 2024 ante 2022
- 61Casos de sarampoConfirmados em 2026 até a reportagem
A recuperação começou em 2022. De acordo com o ministério, 15 das 16 vacinas do calendário infantil tiveram aumento de cobertura em 2024, com crescimento médio de 17 pontos percentuais em relação a 2022. O avanço, porém, não colocou todos os imunizantes nas metas do PNI.
Como a vacinação em massa reduz a transmissão de doenças
Quando uma grande parcela da população está vacinada, diminui a possibilidade de um caso isolado iniciar uma cadeia de transmissão. O material de referência chama essa proteção coletiva de imunidade de grupo.
A distribuição da cobertura também faz diferença. Segundo Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, localidades com baixa vacinação mantêm grupos de pessoas suscetíveis mesmo quando os índices gerais são altos. O sarampo ilustra a preocupação: o Brasil recuperou em novembro de 2024 a certificação de eliminação da transmissão endêmica, perdida em 2019, mas havia registrado 61 casos da doença em 2026 até a publicação da reportagem da Tribuna do Sertão, em 23 de outubro.
Foto de capa: Donatas Dabravolskas/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
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