País mantém a certificação de área livre da doença, mas o aumento de casos nas Américas exige vigilância.
O Brasil registrou 61 casos de sarampo em 2026, a maioria de origem importada, em meio ao aumento da doença em outros países das Américas. Os dados foram divulgados pela Agência Brasil em 21 de outubro de 2026. Nos Estados Unidos, mais de 4,4 mil casos e três mortes haviam sido confirmados no ano.
O diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, avalia que o avanço da doença no exterior aumenta a pressão sobre o Brasil. O país mantém a certificação de área livre do sarampo porque não registra transmissão sustentada em seu território desde 2024.
O que é sarampo e quais são os sintomas
O sarampo é uma doença causada por vírus que costuma começar com febre, tosse, coriza e olhos inflamados. Segundo o material de referência sobre a doença, pequenos pontos brancos podem surgir dentro da boca dois ou três dias após o início dos sintomas. As manchas vermelhas geralmente aparecem entre o terceiro e o quinto dia, começando pelo rosto e se espalhando pelo corpo.
Os sintomas costumam surgir de dez a doze dias após o contágio. Rubéola e roséola podem causar sinais parecidos, mas são doenças provocadas por outros vírus.
Como o sarampo é transmitido
O vírus se espalha pelo ar, principalmente quando uma pessoa infectada tosse ou espirra, e também pode passar pelo contato com saliva ou secreções nasais. Uma pessoa com sarampo pode transmitir a doença desde quatro dias antes até quatro dias depois do aparecimento das manchas, segundo o material de referência.
Casos e mortes divulgados até 21 de outubro de 2026
- 61Casos no BrasilEm 2026
- mais de 4,4 milCasos nos EUAEm 2026
A transmissão é muito fácil entre pessoas não imunizadas que compartilham um espaço. O diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha, afirma que manter 95% de cobertura vacinal ajuda a proteger também quem não pode receber a vacina, como recém-nascidos e algumas pessoas com problemas de imunidade.
Como está a vacinação contra o sarampo no Brasil
A tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola e faz parte do calendário básico infantil. De acordo com o PNI, a cobertura das duas doses cresceu após 2023, mas a taxa preliminar da segunda dose em 2026 ainda estava abaixo de 95%.
| Ano | Primeira dose | Segunda dose |
|---|---|---|
| 2023 | 88% | 66% |
| 2024 | 96% | 78% |
| 2026, dados preliminares | 95% | 80% |
Em agosto de 2026, o governo dos Estados Unidos determinou que a tríplice viral fosse separada em três vacinas aplicadas em ocasiões diferentes. A mudança não foi adotada pelo Brasil. Segundo Cunha, as vacinas separadas contra essas doenças não são fabricadas há quase 20 anos, e a alteração americana não tem base científica.
Há casos de sarampo em São Paulo?
São Paulo concentra a maior parte dos casos confirmados no Brasil em 2026, segundo a Agência Brasil. Para reforçar a proteção no estado, foram aplicadas quase 4 milhões de doses extras de vacina ao longo do ano.
Quando surge uma suspeita de sarampo, as autoridades de saúde investigam o caso, isolam a pessoa doente e acompanham seus contatos. Também reforçam a vacinação na comunidade para tentar impedir a transmissão. O Brasil havia obtido a certificação de área livre da doença em 2016, perdeu-a em 2019 e a reconquistou após melhorar a vigilância e a cobertura vacinal.
Sarampo pode matar?
O sarampo pode causar complicações graves e mortes. De acordo com o material de referência, entre as possíveis complicações estão pneumonia, diarreia, cegueira e inflamação do cérebro. Gatti alerta ainda para os riscos a crianças, gestantes e populações vulneráveis.
Nos Estados Unidos, três mortes por sarampo haviam sido confirmadas em 2026 até a divulgação dos dados pela Agência Brasil. Segundo a reportagem, 98% das pessoas infectadas no país não estavam totalmente vacinadas.
Como o sarampo é tratado?
Não há tratamento específico contra o vírus do sarampo, segundo o material de referência. Os cuidados de apoio podem incluir hidratação e medicamentos para controlar a febre. Se houver uma infecção bacteriana secundária, como pneumonia, podem ser usados antibióticos.
Foto de capa: Paulo Pinto/Agencia Brasil/Agência Brasil

