Primeira etapa alcança 20 centros; Ministério da Saúde prevê ampliar a oferta até dezembro.
O Sistema Único de Saúde (SUS) começou a disponibilizar nove medicamentos para o tratamento do câncer na semana de 20 de outubro de 2026. Segundo o Ministério da Saúde, a primeira etapa abrange 20 centros de tratamento distribuídos pelas cinco regiões do Brasil.
Os remédios atendem a 13 indicações oncológicas, e a pasta estima que mais de 116 mil pessoas possam ser beneficiadas. A escolha do medicamento depende do diagnóstico e das condições clínicas de cada paciente.
Quais medicamentos entram no tratamento do câncer
A nova oferta inclui opções para tumores de mama, próstata, pulmão, rim, estômago e tireoide, além de linfomas, leucemia e tumores neuroendócrinos. As indicações informadas pelo Ministério da Saúde são:
| Medicamento | Uso previsto |
|---|---|
| Trastuzumabe | Câncer de estômago ou da região entre o esôfago e o estômago |
| Abemaciclibe | Casos específicos de câncer de mama inicial ou avançado |
| Acetato de lanreotida | Tumores neuroendócrinos |
| Pazopanibe | Câncer renal metastático de células claras |
| Rituximabe | Leucemia linfocítica crônica e alguns tipos de linfoma |
| Abiraterona | Casos específicos de câncer de próstata |
| Gefitinibe | Tratamento inicial de câncer de pulmão |
| TSH recombinante (alfatirotropina) | Câncer diferenciado de tireoide em pacientes indicados para iodo radioativo |
| Sunitinibe | Casos de câncer renal metastático e de tumor estromal gastrointestinal avançado ou metastático após falha ao imatinibe |
No câncer de mama, as características do tumor e o estágio da doença influenciam a indicação do abemaciclibe. Para o câncer de próstata, o uso da abiraterona considera o estágio e a resposta à hormonioterapia.
Quando os novos remédios chegam às demais unidades
O Ministério da Saúde espera estender a oferta para outras unidades até dezembro de 2026. A distribuição inicial em 20 centros faz parte de um plano para incorporar 23 medicamentos contra o câncer até o fim daquele ano.
Dados da primeira etapa e da expansão prevista pelo Ministério da Saúde.
- 13Indicações oncológicas
- 20Centros iniciaisNas cinco regiões do Brasil
- 23Medicamentos previstosAté o fim de 2026
- R$ 4 bilhõesInvestimento previstoPor ano, para os 23 medicamentos
A previsão de investimento para viabilizar os 23 remédios é de R$ 4 bilhões por ano, segundo a pasta. A ampliação integra o programa Agora Tem Especialistas, lançado em 2025, e a oferta dos medicamentos segue o modelo definido pela Assistência Farmacêutica Oncológica.
Como será o rastreamento do câncer colorretal
O Ministério da Saúde iniciou a distribuição de 400 mil testes fecais para o rastreamento do câncer colorretal. A aplicação deve começar gradualmente em novembro de 2026, em unidades básicas de saúde de capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes.
O teste é destinado a homens e mulheres de 50 a 75 anos sem sintomas. Ele procura vestígios de sangue nas fezes; quando o resultado indicar necessidade de investigação, o paciente será encaminhado para colonoscopia.
O que muda nos exames e nas cirurgias
A pasta também anunciou mais recursos para procedimentos ligados ao diagnóstico e ao tratamento do câncer. O financiamento anual da iodoterapia para câncer de tireoide passará de R$ 5,2 milhões para R$ 18 milhões, segundo o ministério.
Há ainda previsão de reajustes nos pagamentos por biópsias, análises de amostras e exames diagnósticos. Para cirurgias oncológicas videotorácicas, usadas principalmente em casos de câncer de pulmão, o investimento previsto é de R$ 46 milhões por ano.
Foto de capa: Jefferson Rudy/Agência Senado/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

