Remédios atendem a indicações específicas; Ministério da Saúde prevê ampliar a distribuição até dezembro de 2026.
O Sistema Único de Saúde (SUS) começou a oferecer nove medicamentos para o tratamento do câncer em 20 de outubro de 2026. Segundo o Ministério da Saúde, eles atendem a 13 indicações clínicas e podem beneficiar mais de 116 mil pacientes, incluindo pessoas com tumores de mama, próstata, pulmão, rim e estômago.
A entrega começa por centros oncológicos de 17 estados. As fontes divergem sobre o número de centros nesta primeira etapa: o g1 informa 20, enquanto Piauí Hoje e ES Hoje apontam 21. O ministério prevê estender a distribuição aos demais serviços oncológicos do país até dezembro de 2026, mas não divulgou um calendário por hospital.
Quais medicamentos contra o câncer entram na oferta do SUS
A nova oferta reúne remédios para diferentes tumores e situações clínicas. Segundo o Ministério da Saúde, são estes os medicamentos e seus usos previstos:
- Abemaciclibe: câncer de mama inicial com receptores hormonais positivos, HER2 negativo e comprometimento de linfonodos.
- Trastuzumabe: determinados casos de câncer de estômago ou da região entre o esôfago e o estômago.
- Acetato de lanreotida: determinados tumores neuroendócrinos.
- Pazopanibe: câncer de rim de células claras com metástase.
- Rituximabe: leucemia linfocítica crônica em primeira linha de tratamento e determinados linfomas.
- Abiraterona: determinados casos de câncer de próstata metastático ou resistente à hormonioterapia.
- Gefitinibe: tratamento inicial de determinados tumores de pulmão de não pequenas células.
- TSH recombinante, ou alfatirotropina: câncer diferenciado da tireoide em pacientes com indicação de iodo radioativo.
- Sunitinibe: câncer de rim de células claras com metástase e tumor estromal gastrointestinal avançado ou metastático após falha do imatinibe.
Nem todos os remédios são inéditos no SUS. O trastuzumabe, por exemplo, já era usado contra o câncer de mama e passa a ter oferta ampliada para determinados pacientes com câncer de estômago.
Quem pode receber os novos tratamentos
A possibilidade de usar cada medicamento depende do tipo de tumor, da fase da doença e das características clínicas do paciente. A equipe responsável pelo tratamento avalia se a pessoa atende à indicação específica; ter um dos cânceres citados, por si só, não garante o uso do remédio.
Dados divulgados pelo Ministério da Saúde sobre a nova oferta
- 13Indicações clínicas
- mais de 116 milPacientes potenciais
- 17Estados na etapa inicial
- R$ 155,4 milhõesCompra anualEstimativa para os nove medicamentos
Segundo o Ministério da Saúde, a compra dos nove medicamentos terá custo anual de R$ 155,4 milhões. A pasta não informou quais hospitais receberão os produtos primeiro, o que impede confirmar a disponibilidade em uma unidade específica neste início de distribuição.
Como funcionam os tratamentos contra o câncer
Os medicamentos não agem todos da mesma forma: alguns interferem em processos de multiplicação das células cancerígenas, enquanto outros atuam em sinais hormonais ou em células do sistema imunológico. Conforme a indicação, o objetivo pode ser conter o avanço da doença, prolongar a sobrevida ou diminuir a chance de o câncer voltar.
A oferta faz parte do AF-Onco, iniciativa para organizar o acesso a medicamentos oncológicos na rede pública. Segundo as fontes, o gefitinibe estava previsto no SUS para pacientes com câncer de pulmão desde 2013, mas sua disponibilização efetiva começa nesta etapa.
O que muda no tratamento do câncer de mama e de próstata
No câncer de mama, o abemaciclibe se destina ao grupo com doença em estágio inicial, receptores hormonais positivos, HER2 negativo e linfonodos comprometidos. Para o câncer de próstata, a abiraterona atende a determinados casos com metástase ou resistência à hormonioterapia, conforme a avaliação clínica.
De acordo com o governo federal, o custo do abemaciclibe na rede privada pode chegar a R$ 366 mil. A nova oferta no SUS não altera a necessidade de verificar se o quadro do paciente corresponde aos critérios de uso do medicamento.
Quando começa o rastreamento do câncer colorretal
O Ministério da Saúde também anunciou a distribuição de 400 mil testes fecais FIT para iniciar o rastreamento do câncer colorretal. A implantação está prevista para novembro de 2026, de forma gradual, começando por capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes.
O exame é voltado a homens e mulheres sem sintomas, de 50 a 75 anos, e identifica pequenas quantidades de sangue nas fezes. Um resultado positivo não confirma câncer: indica a necessidade de avaliação e, conforme o caso, de colonoscopia para investigar o sangramento.
Foto de capa: Jefferson Rudy/Agência Senado/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

