Indicações variam conforme idade, histórico familiar, tabagismo e orientação de profissionais de saúde.
O rastreamento pode encontrar alguns tumores antes de sintomas surgirem, o que permite iniciar o tratamento mais cedo, segundo o oncologista Henry Najman, da Oncologia D’Or do Rio de Janeiro. A estratégia é voltada principalmente a pessoas sem sinais da doença e deve considerar idade e fatores de risco.
Para câncer de mama, próstata, cólon e reto, colo do útero e pulmão, os exames e os públicos indicados não são os mesmos. Há também diferenças entre recomendações de sociedades médicas e a orientação adotada pelo Ministério da Saúde no SUS.
Exames conforme o tipo de câncer
A mamografia é usada no rastreamento do câncer de mama. Colégio Brasileiro de Radiologia, Sociedade Brasileira de Mastologia e Febrasgo defendem o exame anual para mulheres sem sintomas a partir dos 40 anos; no SUS, a mamografia é indicada a cada dois anos dos 50 aos 74 anos, enquanto mulheres de 40 a 49 podem fazê-la após solicitação e decisão compartilhada com o profissional de saúde.
No câncer de próstata, a Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que homens a partir dos 50 anos conversem com um profissional sobre a avaliação anual, que pode incluir PSA no sangue e toque retal. Para homens negros, pessoas com obesidade ou histórico familiar, essa conversa pode começar aos 45 anos.
A colonoscopia identifica lesões no intestino e pode remover pólipos com potencial de se transformar em câncer. A Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva indica o início do rastreamento aos 45 anos, enquanto o Ministério da Saúde adotou o Teste Imunoquímico Fecal, feito com amostra de fezes, para pessoas a partir dos 50 anos.
Colo do útero e pulmão
Desde 2024, o Ministério da Saúde incorporou ao SUS o teste de DNA-HPV oncogênico, que procura o material genético do vírus e está sendo implantado gradualmente como método principal de rastreamento do câncer do colo do útero. A coleta é semelhante à do Papanicolau, e a citologia segue presente na rotina de acompanhamento.

A vacinação contra o HPV também integra a prevenção. Segundo a fonte, a infecção persistente pelo vírus está ligada a mais de 90% dos casos de câncer do colo do útero e pode estar relacionada a tumores no canal anal, vulva, vagina, pênis e orofaringe.
Para pessoas entre 50 e 80 anos que fumam ou pararam há menos de 15 anos, sociedades médicas brasileiras passaram a recomendar, desde 2024, tomografia de tórax de baixa dose uma vez por ano quando há histórico de pelo menos 20 maços-ano. Esse cálculo combina a quantidade de maços fumados por dia com o número de anos de tabagismo.
Estimativas para 2026
O Instituto Nacional de Câncer estima novos casos para quatro dos tumores citados. O câncer de mama é o mais incidente entre mulheres brasileiras, sem considerar o câncer de pele não melanoma; entre homens, nessa mesma comparação, o de próstata é o mais frequente.
Previsões do Inca para quatro tipos de câncer.
| Tipo de câncer | Estimativa de novos casos em 2026 |
|---|---|
| Mama | 78.610 |
| Próstata | 77.920 |
| Cólon e reto | 53.810 |
| Colo do útero | 19.310 |
Quando a investigação é outra
O rastreamento não substitui a avaliação de sintomas. Tosse persistente, falta de ar, dor no peito, cansaço, sangue no escarro e perda de peso podem ocorrer no câncer de pulmão, mas a fonte informa que, diante de sinais suspeitos, a investigação médica segue outro caminho e pode exigir exames específicos.
A continuidade e a frequência dos testes devem ser definidas individualmente com profissionais de saúde. No caso da próstata, por exemplo, a decisão de manter os exames após os 70 anos também depende das características de cada paciente.
Com informações de eshoje.com.br.
Foto de capa: Linda LaBonte Britt/Wikimedia Commons (Public domain)

