Levantamento aponta diferenças na vacinação na América Latina; Brasil já adota o esquema de dose única.
A vacinação contra o HPV ainda não alcança muitos adolescentes no Brasil, embora esteja disponível no país há mais de uma década. Em reportagem publicada em 26 de setembro, especialistas apontam a baixa cobertura como um obstáculo à prevenção de cânceres associados ao vírus.
Um levantamento apresentado em congresso da Confederación Americana de Urología (CAU) também identificou diferenças entre os programas de vacinação da América Latina. Segundo o urologista Marcos Tobias Machado, ampliar a imunização de adolescentes é necessário para transformar a disponibilidade da vacina em proteção efetiva.
Cânceres associados ao HPV
O HPV está relacionado a tumores de colo do útero, ânus, orofaringe, pênis, vagina e vulva. O vírus também é responsável pela maioria dos casos de verrugas genitais. Por isso, afirma Machado, vacinar meninos oferece proteção direta à saúde deles, e não apenas uma proteção indireta às meninas.
Dados citados na reportagem e no levantamento apresentado à CAU.
- 350 milMortes no mundoPor câncer de colo do útero ao ano, cerca de
- 7.500Mortes no BrasilPor tumores associados ao HPV ao ano, aproximadamente
- seisTipos de câncerAssociados ao HPV
Dados citados no levantamento apontam cerca de 350 mil mortes anuais por câncer de colo do útero no mundo. No Brasil, tumores associados ao HPV respondem por aproximadamente 7.500 mortes por ano. Estudos no Reino Unido identificaram redução de casos de câncer de colo do útero entre mulheres vacinadas na adolescência, além de menos infecções e lesões pré-cancerosas.
Por que a cobertura preocupa
De acordo com a revisão apresentada à CAU, Brasil, Argentina, Uruguai e Panamá incluem meninos em seus programas nacionais de vacinação contra o HPV. Já Cuba, Haiti, Nicarágua e Venezuela não tinham programas registrados no levantamento. Os autores apontam que simplificar o esquema de vacinação pode ajudar a ampliar o alcance dos programas.
Especialistas citam desinformação, receio de responsáveis e dificuldade de acesso aos serviços de saúde entre as barreiras à vacinação. A queda na procura durante a pandemia agravou o cenário, e a recuperação ainda é lenta em muitos lugares, segundo a reportagem.
Esquema adotado no Brasil
O Brasil passou a usar dose única na vacinação contra o HPV, seguindo recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo os autores da revisão, o esquema pode reduzir custos e facilitar a organização dos serviços. A vacinação antes do início da vida sexual é apontada como especialmente importante para prevenir doenças associadas ao vírus.
Com informações de thmais.com.br.
Foto de capa: Yann Forget/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

