Levantamento com 2.015 pessoas relaciona alimentação, excesso de peso e sedentarismo à prevenção do câncer.
Ouça esta notícia
Seis em cada dez brasileiros avaliam a própria saúde como boa, mas uma pesquisa do A. C. Camargo Cancer Center e da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados identificou hábitos associados a riscos para a saúde entre os entrevistados. O levantamento ouviu 2.015 brasileiros de todos os estados e do Distrito Federal no fim de junho.
O estudo comparou a autoavaliação de saúde com a frequência de alimentação, prática de exercícios e consumo de álcool, fatores ligados pela ciência à prevenção de tumores malignos. Para o uro-oncologista Walter da Costa, gerente médico e diretor de ensino do A. C. Camargo, os dados indicam a necessidade de ampliar a orientação sobre comportamentos que prejudicam a saúde.
Alimentação reúne hábitos opostos
Embora 66% dos participantes tenham dito consumir frutas, legumes, verduras, grãos e cereais quase todos os dias, uma parcela relatou alta frequência de produtos com açúcar, gordura ou ultraprocessados. A pesquisa mediu a frequência, e não o tamanho das porções consumidas.
- 2.015Entrevistados
- 66%Alimentos frescos quase todos os dias
- 63%Sobrepeso ou obesidade
- 42%Sem exercícios
- 34%Ultraprocessados quase diariamente
- 2,4 vezes por semanaExercício entre quem pratica
| Hábito relatado | Percentual |
|---|---|
| Consumo quase diário de alimentos frescos e cereais | 66% |
| Refrigerante, suco de caixinha ou refresco em pó em metade ou todos os dias da semana | 38% |
| Ultraprocessados quase diariamente | 34% |
| Doces e guloseimas com a mesma frequência | 31% |
| Frituras ou alimentos muito gordurosos com a mesma frequência | 31% |
Para 30% dos entrevistados, o preço é o principal obstáculo ao acesso da família a alimentos frescos. Três em cada quatro pessoas ouvidas informaram usar majoritariamente o SUS, e o médico afirmou que restrições econômicas precisam ser consideradas nas orientações sobre alimentação.
Excesso de peso e falta de exercício
Segundo o levantamento, 63% dos participantes têm sobrepeso ou obesidade, apesar de a maioria se considerar saudável ou muito saudável. Da Costa associou a obesidade, a hipertensão, o colesterol alto, o diabetes e a gordura no fígado a um conjunto de alterações metabólicas que influencia alguns tipos de câncer.

A falta de atividade física também apareceu entre os resultados: 42% afirmaram não praticar exercícios em nenhum dia. Entre os que fazem alguma atividade, a média relatada foi de 2,4 vezes por semana.
O oncologista disse que o sedentarismo, especialmente quando acompanhado de excesso de gordura corporal, favorece um ambiente de inflamação contínua no organismo. De acordo com ele, a atividade física moderada melhora o desempenho do sistema imunológico e pode contribuir tanto para a prevenção quanto para uma melhor resposta ao tratamento de tumores.
Álcool também entrou no levantamento
O consumo de álcool variou entre os entrevistados. Enquanto 58% disseram nunca beber, 30% relataram ingerir bebidas alcoólicas uma ou duas vezes por semana e 5% afirmaram consumir todos os dias.
A pesquisa não registrou a quantidade ingerida em cada ocasião. O médico observou que, entre as pessoas que mais bebem, predominou a avaliação de que a saúde é boa ou ótima.
Mais em Notícias de Saúde
Cinco hábitos aos 50 anos que ajudam a preparar um envelhecimento saudável
Mercado de bem-estar no Brasil chega a US$ 125 bilhões, aponta instituto
Portugal tem maior proporção de pessoas que não praticam esporte na UE
Gordura visceral exige mais do que exercícios abdominais, aponta levantamento
Variar exercícios pode reduzir risco de morte, aponta estudo com 110 mil pessoas
Sete hábitos associados à proteção da saúde do cérebro ao longo da vida













