Levantamento associa a preocupação com o amanhã à busca por estabilidade financeira; especialistas também citam pressões por sucesso.
O medo do futuro apareceu nas respostas de jovens brasileiros a uma pesquisa da organização Teach the Future divulgada em 2025. No levantamento, feito com pessoas de 18 a 28 anos de todas as regiões do país, 62% se identificaram com uma afirmação sobre temer o que pode acontecer com elas nos próximos anos.
A preocupação tem relação com as incertezas vividas por essa geração, segundo especialistas ouvidos pelo Estadão. Entre os entrevistados, a estabilidade financeira foi a questão mais mencionada. Os pesquisadores chamam de “futurofobia” o sentimento de que o amanhã pode ser pior que o presente, mas esclarecem que não se trata de uma doença.
O que os jovens responderam
A Teach the Future ouviu 689 jovens por meio de um questionário online com perguntas objetivas e abertas. A palavra “ansiedade” foi usada por 78,5% deles ao falar sobre o amanhã, enquanto 79% citaram a estabilidade financeira como principal preocupação.
Resultados de pesquisa com jovens brasileiros de 18 a 28 anos.
- 689ParticipantesJovens responderam ao questionário online.
- 78,5%AnsiedadeMencionaram o termo ao falar do amanhã.
- 79%Estabilidade financeiraApontaram essa preocupação como principal.
- 62%Medo do futuroIdentificaram-se com uma afirmação sobre esse medo.
O estudo também registrou medo elevado entre 64,9% dos participantes desempregados. Além do questionário, a organização promoveu sete conversas com jovens de diferentes regiões que atuam em áreas ligadas a projetos sobre o futuro.
Pressões além do trabalho
A psicóloga Tássia de Almeida, doutora pela Universidade de São Paulo, relaciona parte da angústia à cobrança contínua por sucesso. Segundo ela, a dificuldade de atingir metas pode levar alguns jovens a evitar planos como forma de defesa.
As mudanças climáticas também aparecem nesse quadro. Uma pesquisa publicada em 2021 na revista The Lancet Planetary Health, com crianças e jovens de dez países, incluindo o Brasil, constatou que 75% dos participantes consideravam o futuro assustador.
Como interpretar esse sentimento
Para a psiquiatra Sara Bottino, da Universidade Federal de São Paulo, dar um nome à preocupação não significa transformá-la em diagnóstico. Ela afirma que sentimentos de incerteza são comuns, embora a pressão por metas irreais possa prejudicar a forma como o jovem vê a si mesmo.
O professor Marcelo Afonso Ribeiro, da USP, aponta ainda o papel das redes sociais. Na avaliação dele, informações fragmentadas e narrativas de sucesso divulgadas nessas plataformas podem dificultar uma visão mais ampla das possibilidades de futuro.
Com informações de Estadão.
Foto de capa: M.Conce/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

