Recusa à escola, isolamento e piora do sono podem sinalizar sofrimento, mas não confirmam ansiedade sozinhos.
Mudanças persistentes no comportamento de crianças e adolescentes, como recusar a escola, se isolar ou dormir pior, merecem atenção quando passam a afetar a rotina, os estudos e as relações. Segundo o doutor em Educação Lucelmo Lacerda, esses sinais não confirmam ansiedade de forma isolada e podem ter causas diferentes.
A observação deve incluir o ambiente escolar, a convivência, o sono, as atividades de lazer e o uso de telas. Para Lacerda, pais e professores precisam investigar o que mudou e ouvir a criança sem minimizar o que ela sente, especialmente quando ela não consegue explicar o próprio sofrimento.
Sinais que podem aparecer na rotina
A queda repentina no desempenho escolar, a dificuldade de concentração e a perda de interesse por atividades antes prazerosas estão entre as alterações citadas pelo especialista. Irritabilidade, medo intenso de provas e resistência em falar de colegas ou situações específicas também podem indicar que algo precisa ser compreendido.
- Recusa ou desculpas frequentes para não ir à escola
- Isolamento e menor participação nas atividades
- Alterações no sono e dificuldade de concentração
- Medo recorrente de avaliações ou de errar
- Queda repentina nas notas
Uma preocupação antes de uma prova pode fazer parte da experiência escolar. O alerta aumenta, segundo a fonte, quando o medo se torna intenso ou frequente, leva o estudante a evitar avaliações, perder o sono ou deixar de participar de atividades.
Escola e família devem observar o contexto
Bullying, conflitos com colegas, exclusão, pressão por desempenho e medo de situações na escola são aspectos que devem ser investigados quando a criança passa a evitar as aulas. Lacerda afirma que não se deve esperar que ela resolva sozinha episódios de bullying ou exclusão.
O especialista recomenda olhar para a rotina de forma ampla, sem atribuir uma mudança emocional a um único fator, como o celular. Dados da TIC Educação 2025 mostram que 80% das escolas brasileiras de Ensino Fundamental e Médio abordaram os impactos das tecnologias digitais na saúde mental dos alunos. A fonte também informa que, em 2025, 92% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos usavam internet.
Para Lacerda, reduzir o tempo de tela pode fazer parte do cuidado, mas não substitui sono adequado, movimento, convivência, brincadeiras, atividades prazerosas e períodos sem estímulos digitais.
Quando a pele também muda
A médica Telma Giordani, especialista em saúde da pele, afirma que a ansiedade não provoca necessariamente uma doença de pele. Porém, períodos de estresse podem agravar coceira, sensibilidade ou condições inflamatórias já existentes, como dermatites.
A avaliação médica é indicada, segundo a médica, quando a alteração se repete, causa coceira intensa, atrapalha o sono, provoca feridas ou afeta a autoestima da criança. Informações sobre pioras que coincidem com provas, conflitos escolares ou mudanças de comportamento devem ser levadas à consulta.
O que observar
A fonte orienta que adultos procurem entender se a criança está dormindo, convivendo com amigos, brincando ou praticando atividades, se sente segurança na escola e se consegue conversar com alguém quando algo não vai bem. A aproximação entre família e escola ajuda a reunir essas informações e identificar possíveis necessidades de cuidado.
Com informações de terra.com.br.

