Neurologista explica que noites maldormidas frequentes interferem no funcionamento do corpo e na rotina.
Dormir mal de forma recorrente pode ir além do cansaço e prejudicar funções do cérebro, o equilíbrio emocional e outros sistemas do organismo. O alerta é do neurologista Mario Braga, professor de Medicina da Faculdade Pitágoras, em material divulgado nesta quarta-feira (24).
Segundo o médico, a insônia persistente também pode comprometer o desempenho ao longo do dia e a qualidade de vida. Sonolência, irritação e dificuldade para manter a atenção estão entre os sinais associados à falta de descanso adequado.
Memória e emoções podem sofrer efeitos
O sono participa da fixação do que foi aprendido e da organização da memória. Por isso, de acordo com Braga, quem passa noites maldormidas pode levar mais tempo para realizar tarefas, ter raciocínio menos ágil e dificuldade para decidir ou se concentrar em estudos e trabalho.
A privação de sono também está ligada à maior irritabilidade e a sintomas de ansiedade e depressão. A relação pode ocorrer nos dois sentidos: mudanças emocionais podem contribuir para o aparecimento ou a piora da insônia, informou o neurologista.
Riscos para coração, metabolismo e defesa do corpo
A insônia crônica é associada a maior risco de hipertensão e doença coronariana. Braga explica que uma alteração contínua do sono pode manter o organismo mais ativado, com aumento da frequência cardíaca e da liberação de cortisol e adrenalina, hormônios relacionados ao estresse.
A falta de descanso ainda pode alterar processos envolvidos na fome, no metabolismo e no controle da glicose. Segundo a fonte, ela está relacionada a maior risco de sobrepeso, obesidade e diabetes tipo 2.
O sistema imunológico também depende do sono para regular sua resposta. Quando o descanso não é suficiente, a capacidade de defesa do organismo pode ser prejudicada, aumentando a suscetibilidade a infecções.
Quando a insônia é considerada crônica
Para o neurologista, a condição é classificada como crônica quando ocorre ao menos três vezes por semana, por três meses ou mais, e traz prejuízos para as atividades diurnas. Nesse quadro, a orientação citada pela fonte é buscar avaliação de um profissional de saúde para investigar as possíveis causas e definir o tratamento.
A fragmentação ou a privação do sono pode aumentar a reação a situações emocionalmente exigentes e reduzir o controle das respostas, afirmou Braga. Na rotina, isso pode afetar a convivência, a tolerância ao estresse e o desempenho cognitivo.
Com informações de tribunapr.com.br.
Foto de capa: Psych 125/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

