Estudo citado pela Terra aponta maior frequência de ansiedade, depressão e síndrome do pânico entre entregadores submetidos à pressa.
A pressão para realizar muitas entregas em pouco tempo tem sido associada a riscos físicos e mentais para entregadores que usam motocicletas no Brasil. Uma pesquisa citada pela Terra encontrou que 25,6% dos trabalhadores avaliados relataram diagnóstico médico de ansiedade, depressão ou síndrome do pânico.
No levantamento, o trabalho em ritmo acelerado foi relacionado a uma incidência 55% maior de transtornos mentais. O tema também envolve a segurança no trânsito e o atendimento público: acidentes com esses profissionais podem levar a tratamentos pelo SUS e afetar a renda de suas famílias.
Pressão por produtividade e segurança
A Lei 12.436, em vigor desde 2011, proíbe empresas e contratantes de estimularem motociclistas a aumentar a velocidade. Entre as condutas previstas estão recompensas por quantidade de entregas, disputas entre profissionais e promessas de isenção ao consumidor caso o pedido atrase.
As multas estabelecidas na lei vão de R$ 300 a R$ 3.000. Em caso de reincidência ou tentativa de burlar a regra, a penalidade deve ser aplicada no teto previsto.
Em 2016, o Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais determinou que uma rede de pizzarias de Belo Horizonte deixasse de pagar entregadores conforme o número de entregas. Para o tribunal, esse formato de remuneração incentivava o aumento da velocidade.
O que mostram os dados
As plataformas continuam oferecendo desafios e bônus ligados a um número determinado de corridas ou entregas em certo período, segundo a reportagem. As empresas argumentam que atuam como intermediárias de serviços, enquanto a legislação federal trata do motofrete.
Dados citados na reportagem sobre saúde mental e direção segura.
- 25,6%Diagnóstico mentalansiedade, depressão ou pânico
- 55%Maior incidênciaassociada ao ritmo acelerado
- 24%Queda em acidentesnos primeiros três meses
- 53%Direção melhoradaparticipantes monitorados
- 59%Risco reduzidosegundo o iFood
A Uber afirmou que participou de um programa de monitoramento de direção segura no Rio de Janeiro. De acordo com a companhia e a prefeitura, os acidentes com motociclistas vinculados à plataforma caíram 24% nos primeiros três meses, e 53% dos participantes monitorados melhoraram sua condução.
O iFood informou que seu programa Direção Segura usa telemetria para avaliar a velocidade dos entregadores de acordo com o limite de cada via. Segundo a empresa, os comportamentos de risco diminuíram 59% entre os participantes; a nota de direção também passou a influenciar a distribuição de pedidos.
Propostas em discussão
Em março, o governo federal anunciou medidas para ampliar a transparência sobre a divisão do valor pago pelo consumidor entre aplicativo e trabalhador. A proposta também inclui espaços de descanso e um comitê interministerial para acompanhar o setor.
A regulamentação mais ampla segue em debate na Câmara por meio do PLP 152/2025. O relator Augusto Coutinho defende pagamento mínimo de R$ 8,50 por entrega de moto em trajetos de até quatro quilômetros, enquanto o governo propõe R$ 10.
Com informações de terra.com.br.
Foto de capa: Laura Vicaria/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

