Pesquisa acompanhou mais de 104 mil adultos e analisou a irregularidade dos horários das refeições.
Mudar muito os horários das refeições entre os dias úteis e o fim de semana pode provocar o chamado jet lag alimentar, um desencontro entre a rotina social e o relógio biológico do organismo. O ritmo circadiano participa da regulação do sono, da temperatura corporal, dos hormônios e do metabolismo, e também influencia a forma como o corpo lida com nutrientes e energia ao longo do dia.
Um estudo publicado em setembro de 2026 na revista Communications Medicine associou maior irregularidade nos horários de comer a risco cardiovascular mais alto entre homens. A pesquisa acompanhou 104.806 adultos da coorte francesa NutriNet-Santé por uma média de 8,1 anos.
O que o estudo observou
No período analisado, os pesquisadores registraram 2.368 casos de doenças cardiovasculares. Entre os homens, a variação maior entre os horários das refeições nos dias úteis e nos fins de semana esteve associada a risco mais elevado de doença cardiovascular e coronariana.
A pesquisa avaliou a regularidade dos horários das refeições.
- 104.806Adultos acompanhadoscoorte francesa
- 8,1 anosTempo médiode acompanhamento
- 2.368Casos cardiovascularesregistrados no período
O trabalho é observacional. Isso significa que os resultados mostram uma associação, mas não comprovam que comer mais tarde em um sábado ou participar de um jantar ocasional cause doença cardíaca.
Como a rotina alimentar pode se desorganizar
A mudança de horários costuma vir acompanhada de outros hábitos, como acordar mais tarde, pular o café da manhã, beliscar ao longo do dia e concentrar grande parte das calorias à noite. Segundo a fonte, o horário isolado não determina ganho de gordura corporal, que também depende do balanço energético e de fatores genéticos e comportamentais.
O problema apontado é a repetição da desorganização. Quem acorda tarde, almoça no meio da tarde e passa o restante do dia beliscando pode chegar à noite com mais fome e fazer uma refeição muito maior.
Regularidade sem regras rígidas
A fonte ressalta que não é preciso manter nos fins de semana exatamente os mesmos horários usados de segunda a sexta. A orientação é preservar uma estrutura básica de refeições, compatível com a rotina e sem buscar perfeição.
Entre as estratégias citadas estão:
- evitar pular refeições para “economizar calorias”;
- não concentrar toda a alimentação no período noturno;
- manter alimentos como arroz, feijão, carnes, ovos, frutas e vegetais na base da alimentação;
- cuidar do sono e evitar mudanças radicais nos horários de dormir e acordar;
- manter-se ativo, com caminhada, treino ou menos tempo sentado.
Para quem pratica exercícios, a organização das refeições também ajuda a distribuir energia e proteínas em torno da rotina de treinos. A frequência ideal, porém, varia conforme objetivo, rotina e tolerância individual.
Com informações de atarde.com.br.
Foto de capa: JIP/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

