Durante o Setembro Amarelo, especialista chama atenção para o uso da bebida como forma de lidar com emoções e problemas de sono.
O uso frequente ou excessivo de álcool pode agravar sintomas depressivos e ansiosos, além de prejudicar o sono. O alerta foi feito durante o Setembro Amarelo pela psicóloga Andreia Mann Silva, do Eco Medical Center, em Curitiba, em reportagem publicada em setembro de 2026.
Segundo a especialista, a bebida pode dar uma sensação passageira de alívio para quem enfrenta tristeza, ansiedade ou estresse. Quando a pessoa volta a beber para tentar afastar esse desconforto, o consumo pode se tornar parte de um ciclo que intensifica o sofrimento emocional.
O que mostram os dados
O Vigitel 2025, do Ministério da Saúde, aponta que 20,4% dos adultos haviam consumido pelo menos seis doses de álcool em uma mesma ocasião. Esse padrão é classificado no levantamento como consumo excessivo. Em 2006, o índice era de 15,6%.
Percentual de adultos que consumiram ao menos seis doses em uma ocasião
- 20,4%Adultos em 2025Consumo excessivo em uma ocasião
- 15,6%Adultos em 2006Mesmo padrão de consumo
- seis dosesLimite consideradoConsumidas em uma mesma ocasião
| Ano | Adultos que consumiram ao menos seis doses em uma ocasião |
|---|---|
| 2006 | 15,6% |
| 2025 | 20,4% |
Andreia explica que a exposição ao álcool entre adolescentes e jovens merece atenção porque funções ligadas à tomada de decisões e ao controle dos impulsos ainda estão em desenvolvimento. Ela ressalta que começar a beber cedo não significa necessariamente desenvolver um transtorno por uso de álcool, mas representa um fator de vulnerabilidade.
Quando a bebida vira sinal de alerta
Para a psicóloga, não basta observar quanto uma pessoa bebe: é preciso entender o papel da bebida em sua rotina. Usá-la como principal forma de enfrentar emoções difíceis é um sinal de que o padrão de consumo merece atenção. Outros sinais citados pela especialista incluem:
- Aumento da quantidade ingerida ou dificuldade para controlar o consumo.
- Necessidade de doses maiores para obter o mesmo efeito.
- Lapsos de memória e prejuízos no trabalho ou nos estudos.
- Conflitos familiares e perda de interesse por atividades antes valorizadas.
O álcool também pode interromper a continuidade do sono e reduzir sua qualidade, mesmo quando provoca relaxamento no início. De acordo com Andreia, o cansaço e a irritabilidade no dia seguinte podem levar a pessoa a recorrer novamente à bebida.
Como familiares podem ajudar
A psicóloga orienta familiares e amigos a conversar em um momento em que a pessoa esteja sóbria, sem julgamentos ou confrontos. A conversa pode partir de mudanças concretas que eles perceberam, com o objetivo de favorecer a busca por ajuda profissional, não de fazer um diagnóstico.
No contexto do Setembro Amarelo, Andreia também pede atenção a sofrimento emocional intenso, desesperança, isolamento, impulsividade e mudanças importantes de comportamento. Segundo ela, identificar cedo tanto o sofrimento quanto um padrão de consumo de risco amplia as possibilidades de cuidado.
Com informações de jornaldafranca.com.br.
Foto de capa: Jefferson Rudy/Agência Senado/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

