Nutricionista explica como estresse, alterações intestinais e alimentação se relacionam.
O intestino mantém comunicação de mão dupla com o cérebro e pode influenciar funções como sono, emoções e comportamento, segundo a nutricionista Lenice Góes da Paixão. Em reportagem publicada pelo MASSA! nesta sexta-feira (25), a especialista explicou que o órgão tem sistema nervoso e neurônios, além de participar da produção de serotonina.
De acordo com Lenice, emoções intensas, como medo e estresse, podem alterar a motilidade intestinal. Nessas situações, a pessoa pode ter intestino preso ou evacuações mais soltas, por vezes acompanhadas de distensão abdominal e gases.
Sono e funcionamento intestinal
A nutricionista afirmou que a relação também envolve a serotonina e a melatonina, hormônio associado ao sono. A melatonina é produzida a partir da serotonina e, segundo ela, uma disfunção intestinal que reduza essa produção pode afetar a qualidade do descanso.
A profissional orienta que cada pessoa observe o próprio padrão intestinal, pois ele varia entre os indivíduos. Arrotos excessivos e mudanças na frequência ou na consistência das fezes podem indicar alteração no funcionamento do órgão.
Sinais que merecem atenção
Entre os sintomas mencionados por Lenice estão inchaço abdominal frequente, gases em excesso e evacuações fora do padrão habitual. Ela citou como exemplos situações de constipação severa e prolongada, como ficar 15 dias sem defecar, ou diarreia frequente.
- Flatulência intensa e arrotos recorrentes;
- Fezes muito amolecidas ou episódios repetidos de diarreia;
- Evacuar várias vezes por dia sem que isso seja habitual;
- Abdômen inchado após comer ou até depois de ingerir água.
Segundo a nutricionista, alguns medicamentos, como as canetas análogas de GLP-1, também podem levar a fezes mais amolecidas e disbiose.
O papel da alimentação
Lenice disse que o consumo frequente de ultraprocessados pode alterar a microbiota e o ambiente intestinal. Ela citou produtos com açúcar, sódio, gorduras trans, aditivos químicos e adoçantes, como a sucralose, e ressaltou que o problema está no padrão alimentar baseado nesses itens, não necessariamente no consumo esporádico.
A especialista apontou alimentos ricos em fibras, como chia, psyllium, aveia, linhaça e gergelim, como opções que podem ser fermentadas pelas bactérias intestinais. Açaí, chás, frutas vermelhas, uvas e cacau foram citados por conterem polifenóis e antioxidantes.
O que observar no dia a dia
A orientação da nutricionista é avaliar a composição dos alimentos, com atenção à presença de fibras e antioxidantes naturais. Ela também mencionou que o iogurte natural pode contribuir para a saúde intestinal, mas açúcar e aditivos modificam suas características.
Sobre suplementos, Lenice afirmou que a creatina pode contribuir para a saúde cerebral, a memória e a densidade mineral óssea, além do uso ligado à massa muscular. Já o Whey Protein exige atenção em pessoas com alterações gastrointestinais, pois algumas podem ter dificuldade para digerir as proteínas do soro do leite.
Com informações de jornalmassa.com.br.
Foto de capa: Bim24/Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

