Terapias para crianças e adolescentes foram incorporadas em outubro de 2024, mas a implementação segue pendente, segundo artigo publicado pela Veja.
Crianças e adolescentes com dermatite atópica ainda aguardam a oferta de terapias avançadas no Sistema Único de Saúde (SUS), embora a incorporação desses tratamentos tenha sido aprovada em outubro de 2024, segundo artigo da médica Danielle Kiertsman Harari, publicado pela Veja em 25 de setembro. A autora afirma que a atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) foi um avanço, mas que a disponibilização efetiva aos pacientes não se concretizou.
De acordo com a médica, que atua no Ambulatório de Alergia Pediátrica da Unifesp e integra a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, a demora afeta especialmente famílias que dependem exclusivamente da rede pública. O prazo legal para que o tratamento seja disponibilizado é de até 180 dias após a publicação da aprovação da incorporação no Diário Oficial; conforme o texto, o atraso já passa de um ano.
Impactos vão além das lesões
A dermatite atópica pode provocar coceira intensa, feridas na pele e crises recorrentes. Para Harari, esses sintomas interferem no sono, na saúde emocional, na convivência escolar e na rotina de trabalho dos responsáveis.
Dados de pesquisa citada no artigo publicado pela Veja.
- Quase 30%Sintomas depressivospesquisa citada no artigo
- 36%Sintomas de ansiedadepesquisa citada no artigo
- 65%Distúrbios do sonopesquisa citada no artigo
- 180 diasPrazo legalpara disponibilização do tratamento
Uma pesquisa citada no artigo apontou que pacientes com a doença apresentam:
- Quase 30% com sintomas depressivos;
- 36% com sintomas de ansiedade;
- 65% com distúrbios do sono.
A autora relata que crianças podem enfrentar preconceito na escola, quando colegas confundem as lesões com uma condição contagiosa. Nas famílias, as crises também podem levar responsáveis a faltar ao trabalho para acompanhar os filhos em consultas ou períodos de piora dos sintomas.
Diagnóstico pode demorar
Segundo a médica, o acesso ao cuidado pode ser dificultado antes mesmo da consulta, pois os horários de atendimento do SUS podem coincidir com o expediente de trabalho. Para famílias com renda apertada, a ausência pode representar perda de salário.
Ela afirma ainda que o diagnóstico nem sempre é imediato. Casos menos complexos são geralmente acompanhados na atenção primária por clínicos gerais e pediatras, mas a dermatite atópica pode se parecer com outras doenças de pele e exigir avaliação especializada.
O que falta para o tratamento chegar
A atualização do PCDT incluiu terapias avançadas para crianças e adolescentes, de acordo com o artigo. No entanto, a aprovação de uma tecnologia não assegura, por si só, a oferta aos pacientes: há uma etapa de implementação entre a incorporação e a dispensação na rede pública.
Para Harari, a medida precisa sair do protocolo e se tornar atendimento efetivo, especialmente para pacientes cuja rotina é afetada pela coceira, pelas alterações do sono e pelas crises da doença.
Com informações de veja.abril.com.br.
Foto de capa: Jefferson Rudy/Agência Senado/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

