Os candidatos divergem sobre como reduzir filas, mas ambos defendem o uso de tecnologia e dizem que manterão o Farmácia Popular.
O futuro do SUS entrou na disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro de 2026. Lula propõe ampliar programas da rede pública; Flávio aposta no uso de tecnologia e na contratação de serviços da rede privada para reduzir filas.
Os planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também tratam de agendamento digital, prontuário eletrônico e atendimento a idosos. Há, porém, promessas de campanha que ainda não são serviços disponíveis no SUS, como a oferta de canetas emagrecedoras anunciada por Lula.
O que Lula e Flávio Bolsonaro propõem para o SUS
Lula quer ampliar as equipes de Saúde da Família, manter o Mais Médicos e expandir o Agora Tem Especialistas para enfrentar a espera por consultas e procedimentos. O plano também prevê mais atendimento domiciliar a idosos, ampliação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e parcerias com hospitais privados para a realização de exames e cirurgias.
Flávio propõe contratar exames e procedimentos na rede privada, inclusive em horários em que os equipamentos não estão em uso. Seu plano prevê ampliar as unidades de Saúde da Família, a telessaúde e o atendimento a idosos e pessoas com doenças crônicas, além de buscar a correção da tabela de remuneração do SUS.
| Candidato | Principais propostas para reduzir filas |
|---|---|
| Lula | Ampliar o Agora Tem Especialistas e organizar uma fila digital por risco clínico |
| Flávio Bolsonaro | Usar inteligência artificial no agendamento e contratar serviços da rede privada |
Como seria o agendamento no SUS digital
Os dois candidatos propõem usar tecnologia para organizar o atendimento, mas descrevem aplicações diferentes. O plano de Lula prevê uma fila única digital para consultas e exames, ordenada pelo risco clínico do paciente com apoio de inteligência artificial, além de um prontuário único que permita consultar resultados e marcar atendimentos pelo celular.
O plano de Flávio prevê inteligência artificial para agendar consultas e exames e um prontuário eletrônico vinculado ao CPF, integrado entre as redes pública e privada. Essas medidas constam das propostas dos candidatos; o material consultado não informa quando entrariam em funcionamento.
O SUS vai oferecer canetas emagrecedoras?
A oferta de medicamentos à base de semaglutida para pessoas com obesidade e prescrição médica é uma promessa de Lula, não uma medida já implantada. Segundo o Ministério da Saúde, o medicamento não foi incorporado ao SUS.
O medicamento ainda não foi incorporado ao sistema público.
- 250Pacientes no estudoProjeto-piloto em Porto Alegre
- dois anosDuração do estudo
- R$ 1,5 bilhão por anoCusto estimadoPara oferecer o tratamento pelo SUS
A pasta informou que conduz um estudo-piloto com 250 pacientes em Porto Alegre, com duração de dois anos. O ministério estima em cerca de R$ 1,5 bilhão por ano o custo de oferecer o tratamento pelo sistema público.
O Farmácia Popular vai continuar?
Ambos os candidatos dizem que pretendem manter o Farmácia Popular. Lula defende a continuidade do programa; Flávio fez a promessa na campanha, embora seu plano registrado no TSE não mencione a iniciativa pelo nome. Não há, nas propostas apresentadas, compromisso de encerrar o programa.
Criado em 2004, o Farmácia Popular fornece gratuitamente medicamentos para 12 indicações, além de fraldas geriátricas e absorventes, segundo a reportagem da Exame. A campanha de Lula associou a discussão sobre possíveis cortes de gastos ao risco para programas sociais, mas a campanha de Flávio afirma que a medida em debate por sua equipe econômica não é um compromisso do candidato.
Quando o SUS foi criado e por quem?
O SUS foi instituído pela Constituição Federal de 1988, elaborada pela Assembleia Nacional Constituinte, e regulamentado pela Lei nº 8.080, de 1990, conforme o material de referência sobre o sistema. Sua criação, portanto, decorre do processo constituinte, não de uma proposta individual dos candidatos que disputam a eleição de 2026.
O sistema público garante acesso universal à saúde e reúne serviços que vão de postos de saúde e vacinação a hospitais e atendimentos de maior complexidade. Seu financiamento vem dos orçamentos da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.
Como funciona o financiamento do SUS?
A Constituição estabelece aplicações mínimas de recursos em saúde para os governos. De acordo com a Exame, a União deve destinar pelo menos 15% da receita corrente líquida a ações e serviços públicos de saúde; para os estados, o mínimo é de 12% da receita de impostos, e, para os municípios, de 15%.
O financiamento virou tema de campanha após a notícia de que a equipe econômica de Flávio estudava cortes de gastos. A campanha do candidato diz que essa medida não é um compromisso dele. Segundo a Exame, especialistas apontam que as propostas dos dois candidatos ainda carecem de detalhes sobre financiamento e execução.
Foto de capa: Palácio do Planalto from Brasilia, Brasil/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
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