Em palestra no Neuro 2026, Bernardo Rahe abordou a relação entre discriminação, exaustão e menor procura por ajuda.
O preconceito pode expor pessoas a um estresse contínuo, com consequências para a saúde mental. Foi esse o tema de uma palestra do psiquiatra e psicoterapeuta Bernardo Rahe no Neuro 2026, relatada pelo g1 em 25 de outubro de 2026.
Com experiência no atendimento de pessoas transgênero, Rahe explicou como a discriminação, a rejeição e as barreiras de acesso se acumulam. Ele também chamou atenção para o esforço de quem esconde aspectos da própria identidade para tentar obter segurança e aceitação.
O que é preconceito
Preconceito é um julgamento formado sem conhecimento suficiente sobre uma pessoa ou um grupo. Segundo o material de referência sobre o tema, ele pode se apoiar em generalizações relacionadas, por exemplo, a gênero, orientação sexual, raça, religião ou deficiência.
O preconceito pode favorecer a discriminação, que aparece no tratamento dado às pessoas. Na palestra, Rahe citou a rejeição e as dificuldades de acesso e participação entre as experiências enfrentadas por quem é alvo dessas atitudes.
Como o preconceito afeta a saúde mental
A exposição ao preconceito pode envolver pressões externas e reações desenvolvidas diante delas. De acordo com Rahe, esse processo está associado a ansiedade, depressão, isolamento, exaustão e menor procura por ajuda:
- Fora da pessoa, podem ocorrer discriminação, rejeição, bullying e barreiras institucionais.
- Nas relações e na percepção de si, podem surgir expectativa de rejeição, estigma internalizado e vigilância constante.
- Para buscar aceitação ou segurança, a pessoa pode ocultar sua identidade ou camuflar dificuldades.
Rahe observou que a camuflagem pode dar a impressão de boa adaptação, embora envolva esforço permanente e falta de suporte. O psiquiatra também apresentou estimativas de prevalência do transtorno do espectro autista: 1% a 2% na população em geral e 11% entre pessoas atendidas por disforia ou incongruência de gênero. A palestra não apresentou uma causa para essa diferença.
Como o preconceito afeta a sociedade
O preconceito pode limitar o pertencimento e a participação das pessoas. Segundo Rahe, pessoas neurodivergentes enfrentam, entre outras dificuldades, ambientes com barreiras sensoriais, regras implícitas e comunicação não adaptada; pessoas LGBTQIA+ podem sofrer rejeição e invalidação de sua identidade.
Essas situações não se restringem aos grupos abordados na palestra. O material de referência também descreve formas de preconceito ligadas à raça e ao gênero, que podem produzir estereótipos e discriminação em instituições, espaços públicos e locais de trabalho.




