Carta assinada por Alexandre Padilha e sete ex-ministros da Saúde critica a gestão da pandemia e cita programas de acesso a medicamentos.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e sete ex-ministros da pasta divulgaram, em 20 de outubro de 2026, uma carta com críticas à gestão da saúde no governo Jair Bolsonaro. O grupo pede que os eleitores levem esse histórico em conta no segundo turno da eleição presidencial, disputado por Flávio Bolsonaro (PL).
Os signatários afirmam que uma eventual vitória de Flávio pode trazer riscos ao Sistema Único de Saúde (SUS). A carta expressa uma avaliação política do grupo; o resultado da eleição e as medidas de um possível governo ainda são incertos.
Por que os ex-ministros alertam para o segundo turno
O alerta se baseia, principalmente, na avaliação dos signatários sobre a condução da pandemia de Covid-19 pelo governo Jair Bolsonaro. Eles criticam a postura federal em relação às vacinas e lembram a falta de oxigênio em hospitais. Segundo a carta, mais de 700 mil pessoas morreram no Brasil durante a pandemia.
Além de Padilha, assinam o documento Nísia Trindade, Gilberto Occhi, Marcelo Castro, Arthur Chioro, José Agenor, Saraiva Felipe e Humberto Costa. Eles também defendem investimento em tecnologia e na produção nacional de vacinas, medicamentos e equipamentos.
O que a carta diz sobre o Farmácia Popular
A carta aponta a ampliação do acesso a medicamentos gratuitos pelo Farmácia Popular como um avanço da gestão Lula. De acordo com os signatários, o programa atendia 20,7 milhões de pessoas em 2022 e passou a atender 27 milhões com medicamentos totalmente gratuitos. O grupo também cita a expansão do Mais Médicos e a recuperação do status de país livre do sarampo.
Dados apresentados pelo ministro da Saúde e pelos ex-ministros signatários
- 20,7 milhõesAtendidos em 2022Dado citado sobre o Farmácia Popular
- 27 milhõesAtendidos atualmenteCom medicamentos totalmente gratuitos, segundo a carta
Ao comparar as gestões, os autores afirmam que houve problemas na vacinação infantil, no fornecimento de imunizantes e na rede de distribuição do Farmácia Popular durante o governo Jair Bolsonaro. Essas críticas são apresentadas na carta como parte do argumento contra a candidatura de Flávio.
Quem é Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro é senador pelo Rio de Janeiro, filiado ao PL e filho de Jair Bolsonaro. Antes de chegar ao Senado, foi deputado estadual no Rio de Janeiro de 2003 a 2019. Ele é formado em Direito pela Universidade Candido Mendes.
Na eleição de 2026, concorre à Presidência da República e chegou ao segundo turno. A carta divulgada pelos ex-ministros trata de uma possível gestão sua na área da saúde, não de medidas já adotadas pelo candidato como presidente.
Quem Flávio Bolsonaro indicou para a Saúde
Flávio Bolsonaro anunciou, durante o primeiro turno, que o oftalmologista Cláudio Lottenberg chefiaria o Ministério da Saúde em um eventual governo. Lottenberg presidiu o Hospital Israelita Albert Einstein e foi secretário municipal da Saúde de São Paulo em 2005.
Em entrevista publicada pelo jornal O Globo em março de 2021, Lottenberg criticou a falta de coordenação federal no combate à Covid-19. Questionado após anunciá-lo, Flávio minimizou aquelas críticas e disse que preferia não discutir o passado.
Foto de capa: Agência Senado/Wikimedia Commons (Attribution)

