Médicos apontam benefícios além da perda de peso e cobram critérios clínicos e acompanhamento contínuo.
Especialistas defenderam a ampliação do acesso a medicamentos para obesidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pelos planos de saúde, segundo reportagens publicadas em 27 de outubro de 2026. As chamadas canetas para obesidade, incluindo tratamentos à base de semaglutida e tirzepatida, não são oferecidas pela rede pública nem pela saúde suplementar, de acordo com o relato do debate.
Os médicos apontaram benefícios que vão além da perda de peso, mas disseram que a oferta depende de critérios para definir quem receberia os medicamentos, acompanhamento contínuo e avaliação do custo. No SUS, as alternativas citadas incluem acompanhamento nutricional e cirurgia bariátrica.
Como tratar a obesidade pelo SUS
O SUS oferece acompanhamento nutricional, cirurgia bariátrica e práticas integrativas, segundo Márcio Mancini, chefe do Grupo de Obesidade do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Os medicamentos discutidos pelos especialistas ainda não fazem parte dessa oferta.
| Tratamento | Situação citada no debate | Observação |
|---|---|---|
| Acompanhamento nutricional | Oferecido pelo SUS | Alternativa de cuidado |
| Cirurgia bariátrica | Oferecida pelo SUS | Pode haver longa espera |
| Práticas integrativas | Oferecidas pelo SUS | Incluem tai chi chuan |
| Canetas para obesidade | Não oferecidas pelo SUS ou planos | Incorporação está em debate |
Mancini afirmou que há poucas evidências de benefício para práticas como tai chi chuan no tratamento da obesidade. O material de referência sobre a doença também aponta dieta e atividade física como bases do tratamento; medicamentos podem ser usados como parte do cuidado.
Por que as canetas ainda não estão no SUS e nos planos?
O custo é um dos obstáculos à ampliação do acesso, segundo os participantes do debate. Helton Freitas, presidente da Seguros Unimed, afirmou que uma possível incorporação deve considerar segurança, efetividade e custo, além de critérios clínicos para indicar o tratamento.
Dados e critérios mencionados pelos especialistas no debate sobre obesidade.
- trêsCritérios de avaliaçãoSegurança, efetividade e custo
- mais de 200Problemas associadosSegundo Márcio Mancini
- mais da metadePossível abandonoMesmo com injetáveis fornecidos gratuitamente
Mancini defendeu que a avaliação financeira considere também as doenças associadas à obesidade, que, segundo ele, está ligada a mais de 200 problemas de saúde. Bruno Geloneze, professor livre-docente em Endocrinologia pela Universidade Estadual de Campinas, observou que mais da metade dos pacientes pode abandonar o uso de medicamentos injetáveis mesmo quando eles são fornecidos gratuitamente, conforme dado apresentado no painel.
Obesidade é uma doença crônica?
A obesidade é uma condição médica que pode afetar a saúde e exige uma abordagem que vá além da perda de peso. Mancini disse que ainda há dificuldade em reconhecê-la como doença crônica, enquanto Freitas defendeu cuidados que envolvam atividade física, psicologia comportamental, endocrinologia e atenção primária.
Segundo o material de referência sobre obesidade, a condição aumenta o risco de doenças como diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares e apneia do sono. No debate, Mancini citou estudos sobre benefícios dos novos medicamentos para algumas condições associadas à obesidade e para determinados grupos de pacientes.
Como calcular o IMC e saber se há obesidade
O índice de massa corporal (IMC) é calculado dividindo o peso, em quilos, pela altura, em metros, elevada ao quadrado. De acordo com o material de referência, em adultos o resultado acima de 30 kg/m² é usado para definir obesidade.
Para crianças e adolescentes, a avaliação não usa um número absoluto: o IMC é comparado com referências de idade e sexo. O material de referência considera obesidade, em crianças com mais de dois anos, o resultado igual ou superior ao percentil 95.
Foto de capa: Dalton Scavassa/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)




