Modelo matemático relaciona a mudança noturna da pressão ao ritmo dos vasos sanguíneos, dos rins e do sono.
A pressão arterial costuma cair durante o sono, mas isso nem sempre acontece. Um estudo divulgado recentemente na revista científica PLOS ONE usou um modelo matemático para investigar por que a queda noturna pode ser insuficiente e como os ritmos dos vasos sanguíneos, dos rins e do sono participam desse processo.
Segundo a pesquisa, o padrão esperado é uma redução de 10% a 20% em relação ao período de atividade. Quando a pressão não diminui o suficiente à noite, ocorre o padrão chamado de “não-dipper”, associado a maior risco de problemas cardiovasculares e renais. Ele é mais frequente em pessoas com diabetes, obesidade, doença renal, hipertensão sensível ao sal e distúrbios do sono.
O que mostrou o modelo
Os pesquisadores simularam a interação entre vasos sanguíneos, sistema nervoso, hormônios, rins e ciclo do sono. No modelo considerado saudável, a pressão arterial média caiu 11,4% à noite. Quando a variação normal do tônus dos vasos foi retirada, a queda passou a 8,2%, abaixo do padrão esperado.
Faixa esperada e resultados das simulações descritas no estudo.
- 10%Limite inferior esperadoEm relação ao período de atividade
- 20%Limite superior esperadoEm relação ao período de atividade
- 11,4%Modelo saudávelQueda média durante a noite
- 8,2%Tônus vascular alteradoQueda após retirar a variação normal
| Simulação | Queda noturna da pressão |
|---|---|
| Modelo considerado saudável | 11,4% |
| Sem a variação normal do tônus dos vasos | 8,2% |
O papel dos rins e do sal
A análise também examinou o ritmo com que os rins transportam e eliminam sódio. Quando os pesquisadores eliminaram esse ritmo do modelo, a queda da pressão ficou praticamente preservada, mas mais sódio passou a ser eliminado à noite. Alterar o horário do transporte renal, por outro lado, prejudicou a redução da pressão em algumas simulações.
O efeito foi mais evidente nas simulações com maior ingestão de sódio. Para os pesquisadores, os resultados sugerem que não há um mecanismo isolado: os ritmos dos rins, dos vasos e do ciclo de sono e vigília precisam estar sincronizados.
O que o exame pode mostrar
Uma medida feita apenas durante o dia pode deixar de registrar alterações da pressão à noite. De acordo com a reportagem sobre o estudo, a monitorização por 24 horas permite observar esse comportamento.
Os resultados, porém, vêm de simulações matemáticas, não do acompanhamento clínico de pacientes. Por isso, ajudam a explicar possíveis mecanismos, mas não confirmam que eles se comportem da mesma forma em todas as pessoas.
Com informações de veja.abril.com.br.
Foto de capa: Urban Versis 32/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

