Notificações envolvem medicamentos usados no tratamento de diabetes e obesidade; relação de causa e efeito não está comprovada.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 13 notificações de uma doença rara do nervo óptico em pessoas que usavam medicamentos indicados para diabetes e obesidade no Brasil. Os relatos envolvem Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro e constam do painel de farmacovigilância da agência, segundo levantamento feito pelo g1.
A condição investigada é a neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica, chamada Noia, que pode causar perda súbita e permanente da visão. A Anvisa ressalta que uma notificação registra a ocorrência da doença durante o uso do medicamento, mas não comprova que o remédio tenha causado o problema.
Medicamentos citados nas notificações
Das 13 notificações, 12 estão relacionadas à semaglutida e uma à tirzepatida, conforme os dados do painel da Anvisa citados pelo g1. A distribuição inclui Wegovy FlexTouch separadamente de Wegovy:
Dados do painel de farmacovigilância da Anvisa citados pelo g1; as notificações não comprovam causalidade.
- 13Suspeitas de NoiaNotificações em investigação
- 74Outras complicações visuaisRegistros no painel
- 37Visão turvaRelatos entre as outras complicações
- 29Comprometimento visualRelatos entre as outras complicações
| Medicamento | Notificações de Noia |
|---|---|
| Ozempic | 5 |
| Wegovy | 3 |
| Wegovy FlexTouch | 2 |
| Rybelsus | 2 |
| Mounjaro | 1 |
O painel também reúne 74 registros de outras complicações visuais em usuários desses medicamentos. Entre as queixas estão 37 relatos de visão turva e 29 de comprometimento visual; uma mesma notificação pode conter mais de um sintoma, portanto os registros não equivalem necessariamente ao número de pacientes.
O que se sabe sobre o risco
Estudos têm examinado uma possível associação entre esses medicamentos e a Noia, mas os resultados ainda não estabelecem uma relação de causa e efeito. A avaliação é dificultada porque condições como diabetes, hipertensão e obesidade também podem elevar o risco de problemas vasculares e oculares.
Desde junho de 2025, a Noia consta na bula dos medicamentos à base de semaglutida no Brasil como reação adversa muito rara. A Novo Nordisk afirma que sua análise de ensaios clínicos não mostrou aumento da incidência da doença entre usuários de semaglutida. A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, informou que acompanha dados de segurança, inclusive os relacionados a problemas oftalmológicos.
Quando procurar avaliação médica
Especialistas ouvidos pelo g1 disseram que os dados atuais não justificam interromper um tratamento com indicação médica por causa das notificações. Segundo eles, pessoas com perda súbita ou recente da visão, ou que já tiveram Noia, devem procurar avaliação médica. Para pacientes com diabetes em tratamento, a orientação citada é manter o acompanhamento oftalmológico periódico.
Com informações de aloalobahia.com, nsctotal.com.br.
Foto de capa: News Øresund – Johan Wessman/Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

