Especialista em cirurgia da mão orienta mudanças na forma de digitar e atenção ao desconforto persistente.
Pessoas com mais de 60 anos podem sentir mais desconforto nas mãos ao usar o celular por longos períodos. Segundo Roberto Luiz Sobania, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM), a repetição de movimentos e o tempo gasto segurando o aparelho merecem atenção especial nessa faixa etária, que pode ter menor capacidade muscular e maior desgaste das articulações.
A orientação, publicada pela Folha de Londrina em 27 de setembro, não é abandonar o aparelho, usado para conversar com familiares e acessar serviços. Sobania recomenda mudar a maneira de utilizá-lo e observar quando a dor deixa de ser ocasional.
Onde o desconforto pode aparecer
Digitar, deslizar a tela e manter mãos e punhos na mesma posição por muito tempo podem favorecer dores ou agravar desconfortos existentes. O uso do celular, por si só, não é apontado como causa isolada de lesões. Para quem já tem artrose, o incômodo pode ser mais perceptível nas articulações próximas às pontas dos dedos e na base do polegar.
A postura também interfere no conforto durante o uso. Olhar para a tela com a cabeça inclinada por períodos prolongados pode sobrecarregar o pescoço, enquanto sustentar o aparelho exige esforço dos braços e das mãos.
Mudanças na forma de usar o aparelho
Sobania sugere adaptar tarefas que exigem muitos movimentos dos dedos. Entre as alternativas citadas pelo especialista estão:
- Fazer pausas e alternar as atividades.
- Usar mensagens de áudio ou digitação por voz.
- Segurar o celular com uma mão e tocar a tela com o indicador da outra.
- Apoiar o aparelho em um suporte na altura dos olhos.
- Preferir o computador para tarefas mais longas, quando possível.
Quando procurar avaliação
Uma dor ocasional após uso prolongado pode melhorar com descanso e redução do tempo no celular, segundo o ortopedista. Se o desconforto persistir mesmo após essa redução ou atrapalhar tarefas como segurar objetos, girar chaves e abrir potes, ele orienta buscar atendimento especializado.
Deformidades nos dedos, estalos ou crepitação na base do polegar também pedem atenção, pois podem indicar alterações articulares anteriores. Alongamentos e exercícios de fortalecimento podem fazer parte da rotina, desde que sejam adequados a cada pessoa.
Com informações de folhadelondrina.com.br.

