Arthur Guerra propõe rever compromissos para que hábitos saudáveis não se tornem mais uma fonte de sobrecarga.
Rever a agenda, em vez de acrescentar novos hábitos, pode ser uma forma de cuidar da saúde mental. A proposta foi apresentada pelo médico e professor Arthur Guerra em uma coluna publicada pela Forbes Brasil em 20 de outubro de 2026. Ele relata que reduziu o número de atividades físicas que fazia para se concentrar nas que considera prioritárias para sua idade.
Guerra não sugere abandonar exercícios, alimentação adequada, sono ou amizades. Seu argumento é que uma rotina voltada à excelência em todos esses cuidados pode ficar difícil de sustentar. Na coluna, ele relaciona essa reflexão a pesquisas sobre a tendência de buscar soluções que acrescentam tarefas, mesmo quando retirar algo seria uma opção.
O que é saúde mental?
Saúde mental envolve o bem-estar emocional, psicológico e social, não apenas a ausência de uma doença. Segundo o material de referência sobre o tema, ela influencia a maneira como uma pessoa lida com o estresse, se relaciona com outras pessoas e toma decisões.
Essa definição ajuda a entender por que o descanso e o convívio também entram na discussão sobre autocuidado. Na avaliação de Guerra, uma agenda cheia, inclusive de atividades prazerosas, pode deixar pouco espaço para ambos.
Como cuidar da saúde mental no dia a dia?
Cuidar da saúde mental no dia a dia pode incluir tanto manter hábitos saudáveis quanto examinar se há compromissos demais na rotina. Guerra cita atividade física, alimentação, sono e amizades como cuidados que continua a recomendar, mas afirma que passou a escolher melhor o que cabe em sua própria agenda.
A ideia não é substituir cuidados por inatividade. É distinguir as atividades que fazem sentido daquelas que se acumularam como obrigações, de acordo com a reflexão do professor.
Por que fazer menos pode ser uma opção?
Fazer menos pode ser uma opção quando a tentativa de cuidar de si se transforma em mais uma fonte de sobrecarga. Guerra cita um estudo publicado em 2021 na revista Nature segundo o qual, diante de um problema, as pessoas tendem a pensar em soluções que acrescentam algo e a deixar de lado as que envolvem retirar alguma coisa. A pesquisa também apontou que essa tendência se intensifica sob sobrecarga mental.
Segundo a coluna, pesquisadores britânicos observaram, quatro anos depois, uma preferência por conselhos de saúde mental que recomendam fazer mais, mesmo quando reduzir ou interromper uma atividade seria possível. Guerra usa esses achados para defender uma revisão de prioridades; eles não demonstram, por si só, que diminuir compromissos seja a melhor resposta para todas as pessoas.
Foto de capa: Hector.carvalho/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

