Psicólogo do sono explica o que se sabe sobre o fenômeno e quando ele pode causar incômodo.
Falar enquanto dorme é comum e pode acontecer em qualquer fase do sono. Em explicação publicada pelo g1 em 26 de setembro, o psicólogo do sono Michael R. Nadorff afirma que mais de dois terços das pessoas passam por isso em algum momento da vida. Na maioria dos casos, o fenômeno não é motivo de preocupação.
A explicação mais aceita, segundo o psicólogo, é que o cérebro não adormece por inteiro ao mesmo tempo. Áreas ligadas à linguagem e à fala podem permanecer ativas enquanto outras, que normalmente impediriam a pessoa de falar, estão adormecidas.
O que se ouve durante o sono
Nem sempre a pessoa diz palavras compreensíveis. Murmúrios, risadas e sussurros são mais frequentes, de acordo com Nadorff. Quando há fala, ela pode incluir perguntas e pausas que dão a impressão de uma conversa.
O fenômeno é mais comum na infância. Os pesquisadores ainda não entendem completamente por quê, mas o psicólogo aponta uma possível relação com o sono profundo não REM, cuja proporção diminui com a idade.
Relação com os sonhos
Falar dormindo também pode ocorrer no sono REM, fase em que acontecem muitos dos sonhos mais vívidos. Segundo estudos em laboratórios do sono citados por Nadorff, o que a pessoa diz nessa fase corresponde ao sonho em cerca de 80% das vezes.
Dados apresentados na explicação sobre falar dormindo.
- 80%Fala ligada ao sonhoEm episódios observados durante o sono REM
- 5%Palavra “não”Das palavras ditas durante o sono
- 90 minutosCiclos do sonoDuração aproximada de cada ciclo
Isso não significa que seja possível descobrir segredos fazendo perguntas a alguém adormecido. O psicólogo afirma que não há evidência científica de que uma pessoa revele, nessas circunstâncias, algo que não queira contar.
Quando o incômodo merece atenção
Nadorff explica que falar dormindo só é considerado um distúrbio quando acontece com frequência suficiente para causar problemas reais. O cansaço intenso pode tornar esse e outros comportamentos durante o sono mais comuns.
Para quem se incomoda com os episódios ou apresenta outras manifestações, como sonambulismo e terrores noturnos, o psicólogo diz que existem tratamentos. Ele observa que essas manifestações tendem a ficar menos frequentes com a idade.
Com informações de g1.
Foto de capa: rachel CALAMUSA at the Wayback Machine/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

