Projeções apontam aumento das despesas com internações por infarto, mas dependem da evolução da obesidade no país.
O avanço da obesidade entre adultos, combinado ao envelhecimento da população, pode elevar os gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) nas próximas décadas. Segundo reportagem do SpaceMoney baseada no TecMundo, uma projeção para 2040 indica que a despesa anual com internações por infarto poderia chegar a R$ 2 bilhões se a obesidade continuar a crescer.
A estimativa não é uma previsão de gasto confirmado: ela compara o efeito do envelhecimento com um cenário que também considera o avanço da obesidade. Os dados do Vigitel, levantamento anual do Ministério da Saúde, mostram que a obesidade entre adultos passou de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024.
O avanço do excesso de peso
No mesmo intervalo, o percentual de adultos com sobrepeso passou de 31% para quase 37%, segundo o Vigitel. A reportagem informa que cerca de dois terços dos adultos brasileiros convivem hoje com excesso de peso, enquanto aproximadamente um quarto está na faixa da obesidade.
Percentuais registrados pelo Vigitel em 2006 e 2024.
- ObesidadeEntre adultos11,8%25,7%
- SobrepesoEntre adultos31%quase 37%
Se a tendência histórica continuar, as projeções citadas pela reportagem apontam que mais de três quartos dos adultos poderão estar acima do peso em 2040. O contingente com excesso de peso, estimado em 100 milhões em 2024, poderia se aproximar de 140 milhões naquele ano.
Quanto podem subir as despesas
Em 2024, o SUS destinou R$ 1,013 bilhão a internações por infarto agudo do miocárdio, incluindo serviços hospitalares e de pessoal. A reportagem apresenta duas estimativas para a despesa anual em 2040:
| Ano | Cenário | Despesa com internações por infarto |
|---|---|---|
| 2024 | Gasto registrado | R$ 1,013 bilhão |
| 2040 | Efeito do envelhecimento, sem mudança na incidência | Aproximadamente R$ 1,5 bilhão |
| 2040 | Envelhecimento e avanço da obesidade | R$ 2 bilhões |
A fonte também cita projeções de pressão sobre os gastos com pressão alta, diabetes, derrames e alguns tipos de câncer. Não há, no material, valores detalhados para essas doenças.
Prevenção e atendimento
O documento Brasil Adiante aponta mudanças de hábitos — alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e cuidados contínuos com a saúde — como formas de enfrentar o aumento do sobrepeso e da obesidade. O envelhecimento da população, por sua vez, é tratado como uma mudança demográfica difícil de reverter.
O documento também avalia que o modelo atual do SUS remunera procedimentos, e não resultados. Segundo essa análise, uma mudança exigiria renegociar acordos com prestadores, rever incentivos e criar sistemas de monitoramento ainda inexistentes no SUS.
Com informações de spacemoney.com.br.
Foto de capa: Jefferson Rudy/Agência Senado/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

