Moradores do interior relatam longas viagens para atendimento, enquanto comunidades convivem com falhas no esgoto e no abastecimento de medicamentos.
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Pacientes de cidades do interior de Minas Gerais ainda precisam se deslocar até Belo Horizonte para tratamentos especializados, segundo reportagem do g1 publicada em 22 de setembro. O estado responde por serviços como cirurgias, transplantes, oncologia, UTIs, hemocentros e laboratórios de vigilância, mas o acesso não alcança todos de forma igual.
Carlos Roberto da Mata, aposentado de Ipanema, no Leste de Minas, faz viagens à capital há 12 anos para tratar sequelas de um câncer. A distância entre a cidade onde vive e Belo Horizonte é de 360 quilômetros. Ele viaja com a mulher, Fátima Magalhães, em uma van da prefeitura, que só deixa a capital depois que todos os passageiros são atendidos.
Atendimento concentrado na capital
A região hospitalar de Belo Horizonte recebe ambulâncias de municípios de várias partes de Minas, que levam pacientes em busca de assistência. A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais administra 14 hospitais: nove na Grande Belo Horizonte e cinco no interior.
Para Monique Félix, especialista em gestão de serviços de saúde da Universidade Federal de Minas Gerais, é necessário ampliar os hospitais regionais fora da capital. Ela também defende maior apoio aos municípios na atenção básica.
Fornecimento de remédios
A oferta de medicamentos, inclusive os de alto custo, também está entre as responsabilidades do estado. Gilberto Marinho Vasconcelos precisa de reposição hormonal desde que sofreu um acidente em 2010, que afetou células ligadas à produção de hormônios.
Um dos medicamentos usados por ele custa mais de R$ 800. Gilberto obteve na Justiça o direito de receber o produto, mas, segundo a reportagem, a distribuição foi suspensa. Sem o remédio, ele relata cansaço, dores pelo corpo e indisposição.
Esgoto expõe famílias a riscos
A cobertura de coleta de esgoto em Minas é superior à média do país, mas há comunidades sem estrutura adequada. Na casa de Kênia Yasmin, em Belo Horizonte, a fossa séptica está sob o quarto dos filhos. Após o entupimento, a família fez outra fossa na área externa, a um metro da tubulação de água, situação que eleva o risco de contaminação.
Desafios relatados em Minas
Infográfico com dados das fontes citadas na notícia.

Kênia informou que os filhos tiveram vômitos e diarreia, que ela associa à qualidade da água. Na Ocupação Fábio Alves, no Barreiro, 130 famílias vivem sem saneamento. Monique Félix afirmou que a ausência desse serviço afeta especialmente crianças e idosos.
| Cobertura de rede coletora de esgoto | Percentual |
|---|---|
| Minas Gerais | 78,4% |
| Média nacional | 62,3% |
Em Congonhas, na Região Central, moradores próximos a uma mineradora também relatam preocupação com a poeira de minério. O licenciamento e a fiscalização dos efeitos ambientais e sobre a saúde da população são atribuições do estado.
Com informações de g1.

