Especialista orienta avaliar com o médico se cada medicamento ainda traz benefícios e alerta para os riscos de interromper o tratamento por conta própria.
O uso simultâneo de cinco ou mais medicamentos, chamado polifarmácia, exige atenção no tratamento de idosos. Em reportagem publicada em 26 de setembro, o médico e pesquisador Egídio Dorea, coordenador do programa USP 60+, alertou que tomar vários remédios pode ser necessário para tratar doenças crônicas, mas também traz riscos.
No Brasil, a proporção de idosos nessa situação varia entre 18% e 57%, conforme a população estudada, segundo Dorea. Ele recomenda que a lista de medicamentos seja revista periodicamente com o médico, sem que o paciente suspenda o tratamento por conta própria.
Quem está mais exposto
De acordo com Dorea, a polifarmácia é mais comum entre mulheres, pessoas com várias doenças e idosos com mais de 75 anos. Ele afirma que, no mundo, cerca de 39% a 45% dos idosos usam cinco ou mais medicamentos ao mesmo tempo. As faixas de prevalência variam conforme a população analisada.
Dados citados pelo médico e pesquisador Egídio Dorea.
- cinco ou maisMedicamentos simultâneosCritério de polifarmácia
- 39% a 45%Idosos no mundoPrevalência citada por Dorea
- 18% e 57%Idosos no BrasilVaria conforme a população estudada
- mais de 75 anosFaixa mais expostaUso mais comum nessa faixa
O médico associa o uso excessivo a reações adversas e interações entre substâncias. Também aponta riscos de quedas e episódios de confusão mental, além de hospitalizações. Outro problema é a iatrogenia: danos não intencionais provocados pelo próprio tratamento.
Como revisar o tratamento
Dorea cita o uso prolongado ou inadequado de benzodiazepínicos, empregados para dormir, e de anti-inflamatórios. Ele também menciona os inibidores de prótons entre os medicamentos que podem ser mantidos sem indicação clara. A revisão médica busca identificar remédios que já não trazem benefício ou cujos riscos passaram a superar as vantagens.
O que o paciente pode discutir com o médico
Segundo Dorea, o paciente pode perguntar se ainda precisa de cada remédio e se existe alguma alternativa não medicamentosa. A conversa também permite avaliar a redução de doses ou a suspensão de um medicamento, sempre com orientação médica. O objetivo é evitar, entre outros problemas, que um novo remédio seja prescrito apenas para tratar o efeito colateral de outro.
Com informações de rbtv.com.br.
Foto de capa: Hector.carvalho/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

