Especialista explica quando o cansaço deixa de ser pontual e aponta caminhos para buscar atendimento.
A sobrecarga de trabalho, cuidados com os filhos e tarefas domésticas pode dificultar a identificação de problemas de saúde mental entre mulheres e mães. Em reportagem publicada em 26 de setembro, a contadora Rociane Rebello relatou crises de ansiedade após um período em que precisou conciliar emprego, dificuldades financeiras e os cuidados com a filha, nascida prematuramente.
O problema vai além de uma experiência individual. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de uma em cada cinco mulheres enfrenta algum problema de saúde mental durante a gestação ou no primeiro ano após o parto. No Brasil, o Ministério da Saúde aponta falta de apoio familiar, privação de sono, estresse e dificuldades financeiras entre os fatores que podem contribuir para esses quadros.
O peso dos cuidados na rotina
Dados do IBGE mostram uma diferença no tempo dedicado a cuidar de pessoas e realizar tarefas domésticas em 2022:
Dados sobre maternidade e divisão dos cuidados
- Uma em cada cincoSaúde mental maternaNa gestação ou no primeiro ano após o parto
- 21,3 horasMulheresCuidados e tarefas domésticas por semana em 2022
- 11,7 horasHomensCuidados e tarefas domésticas por semana em 2022
| Grupo | Média semanal |
|---|---|
| Mulheres | 21,3 horas |
| Homens | 11,7 horas |
Rociane contou que as despesas com tratamentos da filha se somaram às exigências do trabalho. Depois do fim de um relacionamento, passou a ter crises de ansiedade e procurou terapia. Ela relata que a atividade física e mudanças na rotina também a ajudaram a controlar as crises, mas segue em acompanhamento psicológico.
Sinais de alerta e atendimento
A psicóloga Yngrid Mabel orienta observar quando o sofrimento se torna frequente e começa a prejudicar atividades do dia a dia. Choro recorrente, irritabilidade, dificuldade de concentração e isolamento estão entre os sinais citados por ela. O Ministério da Saúde também aponta mudanças no sono e no apetite, cansaço extremo e perda de interesse por atividades como possíveis sinais de problemas de saúde mental.
Para Yngrid, a rede de apoio pode ajudar com tarefas concretas, como cuidar da criança ou acompanhar a mãe a uma consulta. Segundo o Ministério da Saúde, o SUS oferece atendimento em saúde mental e pode encaminhar casos que precisem de acompanhamento especializado aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Com informações de acritica.com.
Foto de capa: Jefferson Rudy/Agência Senado/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

