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Estudo em camundongos liga álcool na adolescência a riscos na vida adulta

Estudo da Unifesp com camundongos associa exposição ao álcool na adolescência a comportamentos de risco na vida adulta.

Lucas GodoyPorLucas Godoy 2 min de leitura
Mice in Research for Animal Testing
Foto: Understanding Animal Research/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
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Pesquisa da Unifesp observou alterações de comportamento após intoxicações alcoólicas em fases da adolescência dos animais.

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Episódios de consumo excessivo de álcool durante a adolescência podem prejudicar a maturação cerebral e deixar efeitos comportamentais até a vida adulta, segundo estudos conduzidos na Escola Paulista de Medicina da Unifesp com camundongos. Os resultados associaram a exposição precoce à bebida a maior propensão a comportamentos de risco e, em parte dos animais, a um consumo maior de álcool mais tarde.

A pesquisa, apoiada pela FAPESP e publicada em duas revistas científicas, simulou intoxicações intensas e repetidas nos animais. Os achados são de um modelo experimental com camundongos e não permitem concluir diretamente que os mesmos efeitos ocorram em pessoas, mas os pesquisadores destacam que o cérebro humano continua em desenvolvimento nessa fase da vida.

O que mostrou o experimento

Os camundongos receberam quatro injeções de álcool durante a adolescência, em um protocolo elaborado para reproduzir episódios frequentes de consumo excessivo. Segundo Karina Possa Abrahão, professora do Departamento de Fisiologia da EPM-Unifesp, a proporção seria semelhante a cerca de duas intoxicações por mês ao longo da adolescência humana.

Estudo da Unifesp avaliou camundongos expostos ao álcool na adolescência.
Estudo da Unifesp avaliou camundongos expostos ao álcool na adolescência.

Quando a exposição ocorreu no começo da adolescência, os machos apresentaram, na vida adulta, comportamentos de risco mais intensos. Nas fêmeas, esse resultado não foi observado nessa etapa, mas aquelas que haviam recebido álcool no início da adolescência beberam mais quando a substância foi oferecida na fase adulta.

Na exposição ao álcool no fim da adolescência, animais dos dois sexos mostraram maior comportamento de risco na vida adulta. A equipe ainda não identificou a razão da diferença entre machos e fêmeas observada no começo dessa fase.

Cérebro ainda está em formação

De acordo com a pesquisadora, o córtex pré-frontal, região ligada à tomada de decisões e ao controle de impulsos, tem menor atividade na adolescência. Regiões associadas a essas funções completam o desenvolvimento em humanos por volta dos 25 anos.

A literatura citada pela equipe indica que intoxicações alcoólicas também podem afetar adultos, mas com impacto menor à medida que o cérebro amadurece. O grupo já havia encontrado resultados semelhantes de comportamento de risco em camundongos expostos ao álcool em idade equivalente à de pessoas de 20 anos.

Consumo excessivo entre jovens

O 3º Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela População Brasileira aponta que 5% dos adolescentes de 12 a 17 anos tiveram ao menos um episódio de consumo excessivo de álcool nos 30 dias anteriores à pesquisa. Entre jovens de 18 a 24 anos, o índice chega a 20,5%.

Faixa etáriaEpisódio de consumo excessivo em 30 dias
12 a 17 anos5%
18 a 24 anos20,5%

No Brasil, o consumo de álcool é proibido para menores de 18 anos. A pesquisa analisou efeitos de altas doses em camundongos e reforça a vulnerabilidade do cérebro ainda em desenvolvimento à exposição à substância.

Foto de capa: Understanding Animal Research/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

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