Perda de controle e repetição dos episódios, não o peso corporal, orientam o diagnóstico.
O Transtorno de Compulsão Alimentar (TCA) não se limita a pessoas com obesidade. Em reportagem publicada em 26 de setembro de 2026, o psiquiatra Luiz Sampaio explicou que as duas condições podem ocorrer juntas, mas uma não indica necessariamente a presença da outra.
A distinção está no comportamento alimentar, não na aparência. Segundo Sampaio, o TCA envolve episódios repetidos de ingestão de alimentos acompanhados da sensação de não conseguir controlar o que ou quanto se come. Já a obesidade é uma doença crônica que pode estar relacionada a diferentes fatores, entre eles genética, sono, ambiente alimentar e condições socioeconômicas.
O que conta para o diagnóstico
Comer mais do que o habitual em uma ocasião não basta para caracterizar o transtorno. Sampaio afirma que, durante um episódio de compulsão, a pessoa ingere, em um intervalo delimitado, uma quantidade de alimentos claramente maior do que a maioria consumiria em circunstâncias semelhantes e sente que não consegue parar.
A avaliação considera a repetição dos episódios, a perda de controle e o sofrimento causado.
- duas horasDuração do episódioIntervalo geralmente considerado
- uma vez por semanaFrequênciaEm geral, pelo menos
- três mesesPeríodoDe episódios recorrentes
- três manifestaçõesManifestações associadasPelo menos
Para o diagnóstico de TCA, os episódios precisam se repetir, em geral pelo menos uma vez por semana durante três meses, provocar sofrimento significativo e vir acompanhados de pelo menos três manifestações. Entre os exemplos citados pelo psiquiatra estão comer depressa, continuar até sentir desconforto físico, comer sem fome ou se alimentar escondido por constrangimento. Culpa e preocupação com a imagem corporal não são requisitos para o diagnóstico.
Peso não revela a relação com a comida
Sampaio diz que o TCA pode atingir pessoas com obesidade, sobrepeso, peso considerado normal e, com menor frequência, baixo peso. Por isso, observar o corpo de alguém não permite concluir se essa pessoa tem o transtorno.
Associar automaticamente obesidade à compulsão também pode reforçar o estigma, segundo o psiquiatra. Ele aponta que essa associação pode gerar vergonha e discriminação, afetar a saúde mental e adiar a busca por assistência.
Como é o tratamento
Quando as duas condições coexistem, ambas precisam ser consideradas no cuidado. De acordo com a reportagem, o tratamento do TCA deve ser individualizado e pode reunir psicoterapia, acompanhamento nutricional e, em alguns casos, medicação.
Com informações de entretenimento.r7.com.
Foto de capa: Guian Bolisay/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

