Planta presente em pratos mineiros também movimenta um festival gastronômico na cidade.
A ora-pro-nóbis, planta alimentícia não convencional presente na culinária mineira, é reconhecida como patrimônio cultural imaterial em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Suas folhas entraram na cozinha local depois de um longo período de uso como cerca-viva e ornamentação, especialmente perto de igrejas e capelas.
A planta ganhou espaço nos pratos por razões culturais e nutricionais, segundo pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) ouvidos pela TV UFMG. A professora Nathalia Sernizon, do Departamento de Nutrição, aponta que ela contém proteínas, fibras, minerais e vitaminas. Em Sabará, o ingrediente também se tornou motivo de um festival gastronômico.
Da cerca-viva à mesa
Segundo o professor de história José Newton Meneses, da UFMG, o nome da planta vem do latim e significa “rogai por nós”. Ele relaciona sua incorporação à alimentação à busca por uma alternativa à carne, que era cara no período colonial. Com o tempo, a ora-pro-nóbis passou a integrar o gosto e a identidade alimentar da região.
No bairro Pompéu, a cozinheira Maria Rosa Andrade abriu, em 1996, o primeiro restaurante especializado no preparo da planta, servida por ela com marreco. Outros estabelecimentos da região passaram a usar o ingrediente, e um festival foi criado. Silas da Fonseca, filho da cozinheira, disse à TV UFMG que o encontro atrai mais de 10 mil visitantes por ano à localidade.
Nutrientes apontados pela UFMG
De acordo com Nathalia Sernizon, a ora-pro-nóbis contém ferro, magnésio, cálcio e vitaminas A, B e C, além de proteínas e fibras. A professora associa as fibras à saúde intestinal e destaca a planta como fonte de proteínas. O apelido popular de “carne de pobre” remete ao seu uso histórico como alternativa alimentar, não a uma equivalência nutricional com a carne.
Com informações de itatiaia.com.br.
Foto de capa: Wladmiraaraujo/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

