Agência identificou ofertas on-line de substâncias em pó com instruções para diluição e aplicação pelos próprios pacientes.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou para os riscos da preparação caseira de substâncias usadas nas chamadas canetas emagrecedoras. A preocupação envolve produtos vendidos pela internet em pó, como a tirzepatida, acompanhados de tutoriais que ensinam pacientes a diluir e injetar o conteúdo.
Segundo a agência, não há como assegurar que esses itens contêm o princípio ativo anunciado nem que foram produzidos com qualidade e esterilidade adequadas. A diretora da área de medicamentos da Anvisa, Daniela Marreco, afirmou: “Não temos esse tipo de produto registrado no Brasil”.
Contaminação pode causar sepse
A Anvisa explica que um injetável contaminado pode levar microrganismos diretamente ao organismo, ultrapassando a proteção natural da pele. Entre os sinais de infecção no ponto de aplicação estão dor, vermelhidão, inchaço e formação de abscessos.
Nos casos mais graves, a infecção pode chegar à corrente sanguínea e causar sepse, uma emergência médica que pode exigir internação, provocar falência de órgãos e levar à morte. A agência ressalta que a contaminação não é necessariamente visível: mesmo um produto com aparência limpa e em embalagem fechada pode não estar estéril.
Fiscalização sobre medicamentos injetáveis
Em 2026, a Anvisa ampliou a fiscalização de medicamentos injetáveis da classe dos agonistas de GLP-1, entre eles semaglutida, tirzepatida e liraglutida. O órgão cita falhas de esterilização, falta de controle de qualidade e uso de insumos sem origem ou composição identificadas entre os problemas encontrados.
A manipulação magistral pode ocorrer em situações específicas e mediante prescrição, mas a Anvisa tem intensificado a fiscalização de estabelecimentos que produzem canetas em grande escala, sem individualização e sem os controles necessários. Em uma ação de fiscalização realizada em 2026, foram identificadas irregularidades com tirzepatida e falhas nos controles de qualidade.
A agência também encontrou publicações sobre o CBL-514, peptídeo sintético que está em fase 2 de estudos e não tem autorização para ser comercializado como medicamento no Brasil. De acordo com a Anvisa, substâncias ainda em testes não têm evidências consolidadas de segurança, eficácia e qualidade para o uso pretendido.
Produtos registrados e a orientação da agência
A Anvisa diferencia os medicamentos submetidos à avaliação sanitária dos produtos manipulados ou vendidos irregularmente. Entre os produtos registrados no país estão medicamentos à base de semaglutida, como Ozempic e Wegovy, e de tirzepatida, como Mounjaro.
Segundo o órgão, esses medicamentos foram avaliados quanto à segurança, eficácia e qualidade para obter registro sanitário. A orientação é procurar medicamentos registrados no Brasil e utilizá-los conforme a indicação de profissional habilitado, com atenção à procedência e à forma de uso.
Com informações de gmconline.com.br.
Foto de capa: Nenad Stojkovic/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

