Cirurgião plástico Régis Ramos explica quando a cirurgia reparadora pode ser indicada após grandes perdas de peso e quais cuidados são necessários antes do procedimento
A perda expressiva de peso, impulsionada também pelo uso de medicamentos como Mounjaro, pode trazer um novo desafio: o excesso de pele. Dobras no abdômen, nas mamas, nos braços e nas coxas podem causar assaduras, infecções, dificuldades de higiene e limitações para atividades físicas.
Um estudo publicado no New England Journal of Medicine mostrou que participantes tratados com a maior dose estudada de tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, apresentaram redução média de 20,9% do peso corporal em 72 semanas. Embora os resultados variem entre pacientes, o emagrecimento acentuado pode provocar mudanças importantes no contorno corporal.
Segundo o cirurgião plástico Régis Ramos, atingir o peso desejado não significa estar automaticamente preparado para uma cirurgia de retirada de pele. A indicação depende de fatores como estabilidade do peso, condições nutricionais e estado geral de saúde.
“A cirurgia plástica reparadora é um procedimento de grande porte que exige alta capacidade de regeneração do organismo”, explica.

O especialista considera, geralmente, um período de estabilidade do peso entre três e seis meses antes da avaliação cirúrgica. Para pacientes submetidos à cirurgia bariátrica, o intervalo pode chegar a 12 a 18 meses após o procedimento, dependendo da evolução clínica.
Outro ponto importante é a nutrição. Deficiências de proteínas, ferro, zinco e vitaminas podem comprometer a cicatrização e aumentar o risco de complicações. Por isso, a avaliação e a correção de possíveis carências nutricionais fazem parte do planejamento.
Quando o excesso de pele atinge diferentes regiões do corpo, nem sempre realizar todos os procedimentos de uma só vez é a alternativa mais segura.
“Embora exista o desejo natural de resolver tudo em uma única anestesia, a segurança do paciente deve vir sempre em primeiro lugar”, afirma Régis.
A cirurgia também exige expectativas realistas, já que a retirada de grandes volumes de pele deixa cicatrizes, cuja extensão depende da região tratada.
“A proposta é trocar a sobra de pele desconfortável por uma cicatriz bem posicionada e cuidada. A cirurgia reparadora busca harmonia e conforto, não a perfeição anatômica de quem nunca teve oscilação de peso”, ressalta.
Para o especialista, a cirurgia reparadora não é uma etapa obrigatória após o emagrecimento. Quando indicada, deve ser planejada individualmente, priorizando a segurança, a recuperação adequada e a melhoria da qualidade de vida.
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