Pular para o conteúdo
Notícias de Saúde

Agente indígena relata desafios de saúde na aldeia Escalvado, no Maranhão

Agente indígena Misael Canela relata aumento de doenças crônicas e desafios no atendimento da aldeia Escalvado, no Maranhão.

Lucas GodoyPorLucas Godoy 2 min de leitura
Homem indígena com enfeite de penas ao pescoço medindo a pressão arterial de uma mulher sentada em uma aldeia com casas rústicas ao fundo e outras pessoas sentadas em bancos.
Compartilhe

Misael Canela, tradutor e intérprete da comunidade, aponta aumento de doenças crônicas e limitações no atendimento.

Ouça esta notícia

Misael Canela, de 34 anos, atua há dez anos como agente de saúde indígena na aldeia Escalvado, em Fernando Falcão (MA). Integrante da etnia Canela, ele foi escolhido pela comunidade com aprovação total para a função e também trabalha como tradutor e intérprete, papel que, segundo ele, ajuda a representar as necessidades dos moradores.

A aldeia tem cerca de 3.400 pessoas, conforme o censo mais recente citado pela reportagem. Misael afirma que a desnutrição diminuiu no período em que trabalha na região, enquanto hipertensão, diabetes e obesidade passaram a ser mais frequentes, em meio ao maior consumo de produtos enlatados e ao sedentarismo.

Atendimento combina saberes tradicionais e medicina

A equipe de saúde indígena de Escalvado reúne Misael e outros seis profissionais. Na área acompanhada por ele, são 83 famílias e 368 pessoas; quando começou a atuar, em 2016, eram 57 famílias e 267 moradores.

InfográficoNúmeros do trabalho em Escalvado
  • Cerca de 3.400Moradores da aldeia
  • 83 famílias e 368 pessoasÁrea atendida atualmente
  • 57 famílias e 267 pessoasÁrea atendida em 2016
Fonte: drauziovarella.uol.com.brSaúde em Família
A equipe de saúde indígena de Escalvado tem sete profissionais.
A equipe de saúde indígena de Escalvado tem sete profissionais.

Segundo Misael, os cuidados na aldeia combinam práticas tradicionais e a medicina não indígena. Ele relata que, em casos como diarreia ou pneumonia em crianças, a família procura primeiro o pajé e depois recorre ao atendimento da medicina do “homem branco”.

Doenças crônicas e álcool preocupam moradores

O agente relaciona o avanço de hipertensão, diabetes e obesidade à entrada de alimentos industrializados e à influência da internet sobre o consumo. Ele também cita o alcoolismo como um problema antigo entre moradores mais velhos e diz que a questão está presente em outras aldeias onde trabalhou ou que visitou.

Misael afirma que ainda existem barreiras para o atendimento de mulheres, pois a equipe local é formada apenas por homens. De acordo com ele, normas culturais impedem que agentes homens façam certas perguntas às pacientes.

Necessidades apontadas pela equipe

Entre as medidas que Misael considera necessárias para melhorar o trabalho de saúde na aldeia estão:

  • contratação de mulheres para atuar como agentes de saúde;
  • ampliação da quantidade de medicamentos enviada à comunidade;
  • aumento da cota de combustível, devido às distâncias e às estradas ruins;
  • mais reconhecimento e oportunidades de capacitação para os profissionais.

Para ele, as condições de trabalho e alguns indicadores de saúde melhoraram na última década, mas os recursos disponíveis ainda não atendem toda a demanda da comunidade.

Mais em Notícias de Saúde

Compartilhe
Próxima leituraAtleta de Praia Grande conquista dois ouros nos Jogos Escolares Brasileiros2 min de leitura

Mapa do site