Dor no peito não é o único alerta; histórico familiar e condições como hipertensão e diabetes também exigem acompanhamento.
O bancário Renato Oliveira, de 45 anos, sentiu uma dor no peito em 26 de dezembro de 2025, quando estava na casa da noiva, em Brasília. A princípio, relacionou o incômodo a uma lesão anterior no esôfago. Depois de começar a suar e sentir dificuldade para respirar, foi ao Hospital Brasília, onde sofreu uma parada cardíaca antes de iniciar um cateterismo.
O caso ilustra os riscos abordados pelo Setembro Vermelho, campanha de prevenção cardiovascular ligada ao Dia Mundial do Coração, em 29 de setembro. Segundo os médicos ouvidos pelo Estadão, reconhecer sintomas e investigar fatores de risco pode ajudar a identificar problemas antes de um infarto.
Sinais que merecem investigação
O desconforto de um infarto nem sempre aparece como uma dor no peito que se espalha para o braço. De acordo com o cardiologista Ricardo Mourilhe, ele também pode ser sentido na parte superior do abdome, na mandíbula ou no ombro, o que facilita a confusão com outros problemas de saúde.
Cansaço durante atividades que antes eram bem toleradas, inchaço nas pernas e aumento do volume abdominal são outros sinais que pedem avaliação, segundo o cardiologista Félix Ramires. Renato contou que havia sentido cansaço e falta de ar meses antes do infarto, mas não associou os sintomas a um problema cardíaco na época.
Risco também atinge pessoas mais jovens
Renato já tinha hipertensão, diabetes e alterações no colesterol e nos triglicérides. Seu pai havia sofrido dois infartos. Para Ernesto Joscelin, coordenador da Cardiologia do Hospital Brasília, pessoas com casos na família devem ter o risco cardiovascular acompanhado desde a infância.
Dados do Ministério da Saúde citados pelo Estadão mostram aumento da taxa de internação por infarto entre pessoas com menos de 40 anos:
| Ano | Hospitalizações por 100 mil habitantes |
|---|---|
| 2000 | Menos de 2 |
| 2024 | Quase 5 |
Como é feito o acompanhamento
Pressão arterial, glicemia, colesterol, idade e hábitos de vida ajudam a avaliar o risco, segundo Joscelin. Exames de sangue e de imagem podem revelar alterações antes do aparecimento de sintomas; o histórico familiar também entra nessa análise.
Idade e procedimentos relatados após o infarto.
- 2CateterismosProcedimentos pelos quais passou
- 1Stent cardíacoRecebido após o infarto
- 29 de setembroDia Mundial do CoraçãoData ligada ao Setembro Vermelho
Após o infarto, Renato passou por dois cateterismos, recebeu um stent e teve diagnóstico de insuficiência cardíaca. Segundo a reportagem, o cuidado com doenças cardiovasculares pode incluir medicamentos, controle dos fatores de risco, mudanças na alimentação, atividade física orientada e, quando indicada, reabilitação cardiopulmonar.
Com informações de Estadão.
Foto de capa: Arturdiasr/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

