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Manaus tem picos de poluição do ar dez vezes acima do limite diário da OMS

Manaus teve picos de poluição acima de 160 µg/m³ em meio a queimadas, segundo o Ipam; OMS indica limite diário de 15 µg/m³.

Lucas GodoyPorLucas Godoy 2 min de leitura
On March 22, 2026, the Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer (MODIS) on NASA’s Terra satellite acquired this true-color image of a nearly clou
Foto: MODIS Land Rapid Response Team, NASA GSFC/Wikimedia Commons (Public domain)
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Fumaça de queimadas e mudanças na circulação dos ventos elevaram a concentração de partículas na região metropolitana, segundo o Ipam.

Manaus registrou, em setembro, concentração média de poluição do ar acima de 30 µg/m³, informou o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), com base em sensores da RedeAr. Em 23 de setembro, os níveis chegaram a passar de 160 µg/m³, mais de dez vezes o parâmetro diário de 15 µg/m³ indicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo o Ipam, o aumento está ligado à expansão das queimadas na região metropolitana. O instituto também atribui a permanência da fumaça sobre Manaus ao El Niño, que alterou o regime de ventos e favoreceu o deslocamento de fuligem para a capital e cidades vizinhas.

Onde a fumaça se concentra

Os focos de calor se intensificaram em áreas próximas ao Encontro das Águas, onde se unem os rios Negro e Solimões, e no eixo da BR-319. De acordo com o analista de pesquisa Newton Monteiro, do Ipam, as queimadas nesses pontos formam grandes colunas de fumaça.

Em condições habituais, os ventos predominantes levam a fumaça para o oeste, em direção ao Peru, segundo o pesquisador. Com o atual episódio de El Niño, em fortalecimento desde meados de 2026, esse fluxo mudou e passou a favorecer a chegada do material particulado a Manaus.

Riscos associados às partículas finas

A fumaça das queimadas contém monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio, carbono negro, carbono marrom e substâncias que contribuem para a formação de ozônio. O Ipam aponta o PM2,5, partícula com diâmetro inferior a 2,5 micrômetros, como a principal preocupação para a saúde pública.

Quando inalado, esse material pode alcançar os pulmões e a corrente sanguínea, permanecendo no organismo por meses após o contato. A exposição pode provocar irritação nos olhos, no nariz, na garganta e nos pulmões, além de tosse, inflamação pulmonar, bronquite e insuficiência cardíaca.

A OMS relaciona a exposição ao PM2,5 a 4,2 milhões de mortes por ano no mundo. Em 2025, o Amazonas teve 67 dias com níveis acima de 15 µg/m³ e média anual de 10,67 µg/m³, de acordo com os dados citados pelo Ipam.

Números da poluição em Manaus

A OMS estabelece limite anual de 5 µg/m³ para PM2,5 e média diária de 15 µg/m³. A média registrada pelos sensores em setembro já ultrapassava o dobro do parâmetro diário, enquanto o pico de 23 de setembro ficou acima de dez vezes esse valor.

InfográficoPoluição do ar em Manaus

Medições de setembro e referências da OMS para PM2,5.

Acima de 160 µg/m³
Pico em 23 de setembroRegistro dos sensores da RedeAr
  • Acima de 30 µg/m³Média em setembro
  • Acima de 160 µg/m³Pico registradoEm 23 de setembro
  • 5 µg/m³Limite anual OMS
  • 15 µg/m³Média diária OMS
  • 67 diasDias acima do limiteAmazonas em 2025
  • 10,67 µg/m³Média anual de 2025Amazonas
Fonte: Ipam e OMSSaúde em Família

Foto de capa: MODIS Land Rapid Response Team, NASA GSFC/Wikimedia Commons (Public domain)

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