Pular para o conteúdo
Notícias de Saúde

HC de Ribeirão Preto afasta residente após postagem sobre paciente com sobrepeso

Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto afastou residente após postagem com dados de prontuário e comentário sobre paciente com sobrepeso.

Lucas GodoyPorLucas Godoy Atualizado em 2 min de leitura
Universidade de São Paulo
Foto: Hector.carvalho/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
Compartilhe

Hospital abriu apuração ética depois que médico compartilhou imagem de prontuário e fez comentário de tom irônico nas redes sociais.

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP (HCFMRP-USP) afastou temporariamente o médico residente Guilherme Lourenço Monteiro após ele publicar, em uma rede social, uma imagem de prontuário de um paciente com sobrepeso. A medida foi informada pelo hospital nesta sexta-feira, 25 de setembro, após a repercussão da postagem feita dias antes.

A imagem mostrava informações de peso, altura e índice de massa corporal (IMC). Segundo o HCFMRP-USP, o paciente não teve a identidade exposta, mas a publicação foi considerada incompatível com a conduta profissional esperada pela instituição e teve caráter preconceituoso, conforme manifestação anterior do hospital.

Apuração interna e afastamento

O hospital afirmou que instaurou uma apuração interna sobre o caso, com participação da Comissão de Residência Médica, da Procuradoria Jurídica e da chefia de gabinete. A análise envolve aspectos éticos da conduta do residente.

A instituição informou que seus profissionais em residência passam por avaliações de postura e profissionalismo. Também disse que os programas oferecem orientação obrigatória sobre segurança do paciente, ética e questões jurídicas ligadas ao atendimento.

A conta usada pelo médico na plataforma X foi desativada. A defesa declarou, na quinta-feira, que ele presta esclarecimentos e colabora com a investigação, segundo a reportagem.

Dados de saúde e sigilo do prontuário

Para o advogado especializado em Direito Digital Marcelo Tesk, peso, altura e IMC são dados pessoais sensíveis protegidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Ele afirmou que a divulgação pode gerar risco se houver possibilidade de reconhecer o paciente, inclusive pelo cruzamento dessas informações com outros dados.

Segundo o especialista, um prontuário só pode ser compartilhado com o próprio paciente ou mediante autorização prévia e expressa. A avaliação sobre a existência de anonimização, explicou, depende de não haver meios de identificar a pessoa, nem de forma indireta.

Caso se confirme o uso inadequado dessas informações, o episódio pode ter desdobramentos em diferentes frentes, de acordo com o advogado:

  • administrativa, para a instituição envolvida;
  • ética, perante o Conselho Regional de Medicina;
  • penal, em eventual apuração de violação de sigilo profissional;
  • civil, com possibilidade de indenização ao paciente.

Cronologia do caso

A publicação foi feita em 21 de setembro e alcançou 130 mil visualizações antes de ser apagada, segundo a reportagem. Em 24 de setembro, o hospital informou que havia tomado conhecimento do conteúdo e que adotaria providências. No dia seguinte, comunicou o afastamento temporário do residente.

InfográficoDatas do episódio

Publicação, resposta do hospital e afastamento temporário.

  1. 21 de setembroPostagemimagem de prontuário publicada
  2. 24 de setembroHospital notificadoinstituição informou providências
  3. 25 de setembroAfastamentoresidente afastado temporariamente
Fonte: Portal do HolandaSaúde em Família

O Conselho Federal de Medicina afirmou que não comenta casos concretos enquanto eles podem ser examinados inicialmente pelos conselhos regionais. O CRM foi procurado e ainda não havia se manifestado, conforme a fonte.

Foto de capa: Hector.carvalho/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Mais em Notícias de Saúde

Compartilhe
Próxima leituraFortaleza busca 371 mulheres para zerar fila de mamografias2 min de leitura

Mapa do site