Levantamento reúne checagens feitas desde 2017 e mostra como alegações falsas usam a aparência de autoridade médica.
Um levantamento da Agência Lupa apontou que 87,3% dos conteúdos virais sobre saúde checados pela entidade eram falsos. A análise reuniu 764 materiais examinados entre março de 2017 e junho de 2026; 667 foram classificados como inverídicos. Os resultados constam do relatório Raio-X da Desinformação em Saúde, divulgado em reportagem da Agência Brasil em 20 de outubro de 2026.
O percentual se refere aos conteúdos selecionados para checagem, não a tudo o que circula na internet. O estudo, feito com apoio do grupo de ensino médico Afya, mostra que a desinformação em saúde ganhou volume durante a pandemia de covid-19 e continuou a atingir temas como vacinação, tratamentos e alimentação.
O que é desinformação em saúde
Desinformação é a divulgação intencional de conteúdo enganoso, de acordo com a definição apresentada no material de referência sobre o tema. Ela se distingue do compartilhamento de uma informação incorreta por alguém que não sabe que o conteúdo é falso.
Participação de cada estratégia nos casos mapeados pela Agência Lupa.
- 21,6%Falsa autoridadeMédica ou científica
- 17%Medo e alarmismo
- 15,7%Distorção de estudosE de dados
- 12,6%Soluções simplesPara problemas complexos
Na saúde, as alegações analisadas pela Lupa incluíram promessas de cura e soluções simples para problemas complexos. Um conteúdo viral é aquele que se espalha rapidamente pela internet e alcança muitas pessoas por meio de visualizações e compartilhamentos.
Como as notícias falsas sobre saúde parecem confiáveis
A estratégia mais frequente entre os casos de desinformação em saúde mapeados pela Lupa foi o uso de falsa autoridade médica ou científica, presente em 21,6% deles. A fundadora da agência, Cristina Tardáguila, afirma que conteúdos enganosos recorrem à linguagem e à reputação de profissionais e instituições para ganhar credibilidade.
O levantamento também identificou linguagem alarmista, distorção de estudos e apresentação de respostas simples para questões complexas. Ao menos 142 conteúdos analisados mencionavam figuras públicas, mas, segundo a Lupa, a presença de uma pessoa conhecida não significa que ela tenha criado ou apoiado a alegação.
Quais temas aparecem nas fake news sobre saúde
Covid-19 foi o tema mais recorrente nas checagens de saúde da Lupa, presente em 61% delas. Alegações sobre tratamentos, cura e prevenção apareceram em 34%, enquanto alimentos, bebidas e nutrição estiveram em 24%; os temas podem se sobrepor.
O volume de conteúdos sobre saúde checados pela agência cresceu durante a pandemia. Em 2020 e 2021, foram 452 materiais virais, cerca de dez vezes o total verificado nos três anos anteriores, segundo o relatório.
Como mudou a desinformação sobre vacinas
A participação de alegações sobre vacinas nas checagens de saúde aumentou durante a pandemia e permaneceu acima do patamar anterior a ela. Entre 2025 e junho de 2026, a proporção recuou, mas ainda era superior ao dobro da registrada antes da emergência sanitária.
| Período | Parcela das checagens de saúde sobre vacinas |
|---|---|
| Antes da pandemia | 9,1% |
| Durante a emergência nacional | 33,2% |
| De 2022 a 2024 | 38,9% |
| De 2025 a junho de 2026 | 20% |
No período completo do levantamento, a Lupa examinou 244 alegações sobre vacinas e classificou 212 delas, ou 86,9%, como falsas.
Foto de capa: Tomaz Silva/Agência Brasil

