Os casos são suspeitos, e a agência afirma que as notificações não comprovam relação de causa e efeito com os medicamentos.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noia) em pessoas que usavam medicamentos indicados para diabetes e obesidade. Os registros, divulgados pelo g1 em 26 de setembro, envolvem uma lesão rara no nervo óptico que pode causar perda permanente da visão.
A investigação ocorre porque o uso dos remédios e a doença aparecem nos mesmos relatos. Segundo a Anvisa, isso não comprova que os medicamentos tenham causado a lesão. As notificações envolvem usuários de Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro.
O que mostram as notificações
De acordo com a Anvisa, 12 notificações mencionam semaglutida e uma menciona tirzepatida. A agência ressalva que os registros atribuídos a medicamentos diferentes podem se sobrepor e, por isso, não devem ser interpretados como 13 pacientes distintos.
Notificações e queixas visuais no painel de farmacovigilância da Anvisa.
- 24Suspeitas de neuropatiaRegistros desde 2018, incluindo outros medicamentos
- 74Outras complicações visuaisRegistros entre usuários das canetas
- 37Visão turvaRegistros dessa queixa
- 29Comprometimento visualRegistros dessa queixa
Desde 2018, o painel de farmacovigilância da agência recebeu 24 notificações de suspeita de neuropatia isquêmica óptica, incluindo relatos relacionados a outras classes de medicamentos. O painel também reúne 74 registros de outras complicações visuais entre usuários das canetas, principalmente visão turva e comprometimento visual. Um mesmo relato pode incluir mais de um sintoma.
O que se sabe sobre o risco
A Noia ocorre quando há redução do fluxo de sangue para a parte da frente do nervo óptico. A visão de um dos olhos pode piorar de repente, geralmente sem dor, e a perda pode ser permanente.
Um estudo publicado na revista JAMA Ophthalmology encontrou uma associação entre o uso de semaglutida e um risco maior da doença, mas seus autores afirmaram que os dados não permitem estabelecer causa e efeito. Pacientes analisados também tinham condições, como diabetes, que podem estar relacionadas à lesão. Desde junho de 2025, por determinação da Anvisa, a Noia consta nas bulas de medicamentos com semaglutida como reação adversa muito rara.
Ao g1, a Novo Nordisk afirmou que uma análise de seus ensaios clínicos não identificou aumento de casos da doença com semaglutida. A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, disse que acompanha os dados de segurança de seus medicamentos, inclusive os relacionados à visão.
Orientações para pacientes
Segundo o g1, sociedades médicas brasileiras recomendam suspender o medicamento para quem já teve Noia ou apresenta perda súbita ou recente da visão. Também orientam que pacientes com diabetes em tratamento façam exames periódicos de retina.
Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que as informações disponíveis não justificam interromper o tratamento de quem tem indicação médica. Eles destacam a necessidade de acompanhamento profissional, especialmente diante do uso desses medicamentos sem indicação para tratar uma doença.
Com informações de g1.

