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Gravidez e Maternidade

Qual chá gestante não pode tomar: lista e motivos

Canela, boldo, sene, arruda, poejo, cavalinha, alcaçuz e outras ervas medicinais estão entre os chás que a gestante deve evitar. Veja por que cada um preocupa, o que dizer da camomila e da hortelã e por que é preciso confirmar com o obstetra.

Lucas GodoyPorLucas Godoy 10 min de leitura
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Gestante não deve tomar chá de canela, boldo, sene, arruda, poejo, cavalinha, alcaçuz, artemísia, sálvia, quebra-pedra, carqueja e espinheira-santa, nem chás medicinais em geral sem orientação do obstetra. Essas plantas podem provocar contrações do útero, sangramento, perda de líquidos, alteração da pressão ou efeitos tóxicos para o bebê. Os chás com cafeína, como preto, verde e mate, precisam de limite.

A tabela abaixo reúne os chás proibidos na gravidez que mais aparecem nas consultas de pré-natal e o motivo de cada restrição. Ela não substitui a avaliação do médico: o histórico de cada gestante muda bastante o que é seguro.

CháPor que evitar na gestaçãoOrientação
CanelaPode estimular o útero em doses concentradasEvitar o chá; na comida, em pouca quantidade
BoldoSubstâncias com possível efeito tóxico ao embriãoEvitar
SeneLaxante forte, pode causar cólica e contraçãoEvitar
ArrudaUso popular abortivo, pode causar sangramentoProibido
PoejoTóxico ao fígado e com risco de abortoProibido
CavalinhaDiurética, favorece perda de líquidos e saisEvitar
AlcaçuzEleva a pressão e retém sódioEvitar
ArtemísiaEstimula a menstruação e o úteroProibido
SálviaContém tujona, tóxica em doses altasEvitar o chá
Quebra-pedra e carquejaAção diurética e falta de dados de segurançaEvitar
Espinheira-santaSem segurança comprovada na gravidezEvitar
Preto, verde e mateCafeína atravessa a placentaSó com limite diário

Quais chás são proibidos na gravidez e por quê

Os chás proibidos na gravidez se dividem em quatro grupos de risco: os que estimulam o útero, os laxantes e diuréticos, os que podem intoxicar o fígado ou o bebê e os que contêm cafeína. Saber em qual grupo a planta está ajuda a entender por que o médico pede para evitá-la, mesmo quando a família garante que “sempre tomou e nunca fez mal”.

Chás que estimulam o útero

Arruda, artemísia, poejo e canela em doses concentradas aparecem há gerações na medicina popular como plantas para “fazer descer a menstruação”. Esse mesmo efeito, chamado emenagogo, é o que preocupa na gestação: contrações fora de hora podem levar a sangramento, aborto no início da gravidez ou trabalho de parto prematuro mais adiante. Arruda e poejo também têm toxicidade própria e já foram ligados a intoxicações graves.

Chás laxantes e diuréticos

Sene, cáscara-sagrada e ruibarbo agem irritando o intestino, o que provoca cólicas e pode estimular o útero, que fica bem perto. Cavalinha, quebra-pedra, carqueja e chá de cabelo de milho em excesso aumentam a eliminação de urina e de sais minerais. Na gravidez, o volume de sangue aumenta e o equilíbrio de líquidos é delicado, então perder água e eletrólitos sem controle não é desejável.

Chás com risco tóxico para a mãe ou o bebê

O boldo contém alcaloides que, em estudos com animais, mostraram possível efeito tóxico sobre o embrião, e por isso ele costuma aparecer entre as plantas contraindicadas na gestação. A sálvia tem tujona, substância que em quantidade alta afeta o sistema nervoso. O alcaçuz concentra glicirrizina, que retém sódio, eleva a pressão arterial e é especialmente arriscado para quem tem pré-eclâmpsia ou hipertensão.

Chás com cafeína

Chá preto, chá verde, chá branco, mate e chimarrão têm cafeína, que atravessa a placenta e é eliminada lentamente pelo bebê. Eles não são proibidos, mas entram na conta diária junto com café, refrigerante de cola e chocolate. Entidades como o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas recomendam ficar abaixo de cerca de 200 mg de cafeína por dia. A quantidade em cada xícara varia muito com a erva, o tempo de infusão e a marca, então vale conferir no rótulo e conversar com o obstetra.

Ervas secas e paus de canela em potes de vidro sobre uma mesa de madeira
Algumas ervas secas se parecem muito entre si, por isso convém confirmar o nome exato da planta antes de preparar o chá.

Por que “natural” não significa seguro na gestação

Chá de planta medicinal funciona como um remédio: tem substâncias ativas que agem no corpo e, muitas vezes, chegam ao bebê. A diferença é que, ao contrário de um medicamento, a dose em uma xícara caseira é imprevisível. Ela depende da parte da planta usada, de quanto tempo ficou em infusão, da origem da erva e até da confusão entre espécies parecidas, como as várias plantas chamadas popularmente de “boldo” ou “erva-cidreira”.

Para a maioria das ervas também faltam estudos feitos com gestantes, por razões éticas. Por isso, as monografias de plantas medicinais da Anvisa costumam trazer o alerta de não usar na gravidez e na amamentação quando não há dados suficientes de segurança. Ausência de prova de risco não é a mesma coisa que prova de segurança.

Antes de tomar qualquer chá na gravidez

1. Identifique a planta

Saiba o nome exato da erva. Nomes populares confundem espécies diferentes.

2. Leia o rótulo

Sachês “blend” podem misturar ervas proibidas, como canela, hibisco ou sene.

3. Pergunte ao obstetra

Leve a lista dos chás que costuma tomar na consulta de pré-natal.

4. Use pouco e observe

Mesmo liberado, prefira infusão fraca e suspenda se surgir cólica ou sangramento.

Grávida pode tomar chá de camomila?

A grávida pode tomar chá de camomila em pequena quantidade, desde que o obstetra concorde, porque ela é considerada uma das ervas de menor risco. Uma ou duas xícaras fracas ao longo do dia é o uso mais comum entre as gestantes liberadas. Isso não faz dela um chá totalmente livre de cuidados.

Sobre os benefícios do chá de camomila durante a gravidez, a sensação de relaxamento e o conforto de uma bebida morna à noite são os motivos mais citados. Não existem, porém, estudos sólidos em gestantes que comprovem efeito sobre ansiedade, insônia ou enjoo, e por isso ela não deve ser usada como tratamento. Há relatos médicos que associam o consumo alto de bebidas ricas em polifenóis, como a camomila, no fim da gestação a alterações em um vaso do coração do bebê. Quem tem alergia a plantas da família da margarida, como arnica e crisântemo, também deve evitar.

Pode beber chá de hortelã na gravidez?

O chá de hortelã comum (Mentha spicata) ou de hortelã-pimenta em infusão leve costuma ser aceito na gravidez em quantidade moderada, sempre com aval do médico. O cuidado principal é não confundir com o poejo (Mentha pulegium), da mesma família e vendido às vezes como “hortelã”, mas tóxico e proibido na gestação.

Quem não pode tomar chá de hortelã

  • Quem tem refluxo ou azia: a hortelã relaxa a válvula entre o estômago e o esôfago, o que pode piorar a queimação, queixa muito comum no fim da gravidez.
  • Quem tem cálculo na vesícula: a hortelã-pimenta estimula a produção de bile e pode desencadear dor em quem tem pedras na vesícula.
  • Quem tem alergia a menta: pode haver coceira, vermelhidão ou inchaço na boca após o consumo.
  • Bebês e crianças pequenas: o mentol concentrado, especialmente em óleo, não deve ser usado perto do rosto de crianças pequenas.

Efeitos colaterais do chá de hortelã

Os efeitos colaterais mais relatados do chá de hortelã são azia, piora do refluxo, náusea em pessoas sensíveis e, raramente, reações alérgicas. O óleo essencial de hortelã-pimenta é muito mais concentrado que o chá e não deve ser ingerido na gravidez sem prescrição.

Posso tomar chá de canela durante a menstruação e a gravidez?

Na gravidez, o chá de canela deve ser evitado; já durante a menstruação, fora da gestação, ele costuma ser tolerado por quem não tem contraindicação. A fama de “chá que faz a menstruação descer” vem justamente da crença de que a canela estimula o útero. Não há boa evidência de que ela induza a menstruação ou um aborto, mas, como o efeito não está descartado em doses concentradas, a recomendação é não arriscar.

A canela usada para polvilhar uma fruta, um mingau ou um bolo, em pequena quantidade, não é o mesmo que um chá forte feito com vários paus fervidos. Quem tem dúvida sobre receitas do dia a dia pode confirmar com o obstetra ou com a nutricionista do pré-natal.

O cravo-da-índia faz mal para gestantes?

O cravo-da-índia em pequena quantidade como tempero não costuma fazer mal para gestantes, mas o chá concentrado e o óleo essencial devem ser evitados. O cravo contém eugenol, substância que em doses altas pode afetar o fígado e a coagulação, e faltam dados sobre seu uso como chá na gravidez. Na receita de doce de abóbora ou no arroz-doce, a quantidade é mínima; no chá fervido com canela, muito popular, a combinação soma duas plantas que merecem cautela.

Quais chás são permitidos na gravidez

Nenhum chá é liberado para todas as gestantes, mas alguns costumam ser aceitos pelos obstetras em pequenas quantidades quando a gravidez corre sem complicações. A tabela mostra os mais comuns e o cuidado de cada um.

CháSituação habitualCuidado
CamomilaGeralmente aceito em pouca quantidadeEvitar excesso no fim da gestação
Erva-cidreira (melissa)Geralmente aceito em infusão leveConfirmar a espécie; pode dar sonolência
GengibreAceito por muitos médicos em dose baixaCautela perto do parto e com anticoagulantes
HortelãAceito em infusão levePiora refluxo; não confundir com poejo
Infusão de frutasCostuma ser seguraConferir se não há hibisco ou canela

Ter um chá na lista de permitidos não significa usá-lo para tratar sintomas. Enjoo intenso, insônia, inchaço, prisão de ventre e ansiedade na gestação têm causas que precisam ser avaliadas, e alguns desses sinais podem indicar problemas como diabetes gestacional ou pré-eclâmpsia.

Bule de vidro com infusão leve de camomila e flores frescas ao lado
Quando o médico libera, a infusão fraca e em poucas xícaras por dia diminui a dose das substâncias ativas.

Erros comuns com chá na gestação

  • Confiar no nome popular: “boldo”, “erva-cidreira” e “hortelã” designam plantas diferentes em cada região, e algumas variedades são contraindicadas.
  • Ignorar os sachês misturados: chás “detox”, “para inchaço” ou “emagrecedores” costumam ter sene, cavalinha, hibisco ou chá verde na composição.
  • Usar chá para “segurar” ou “apressar” o parto: receitas caseiras para induzir contrações podem causar sofrimento fetal e devem ser descartadas.
  • Tomar vários litros por dia: mesmo um chá considerado de baixo risco vira dose alta quando substitui a água o dia inteiro.
  • Esquecer da amamentação: muitas ervas passam para o leite materno, então a cautela continua depois do parto.
  • Não contar ao médico: chás interagem com remédios para pressão, tireoide, diabetes e anticoagulantes, e o obstetra precisa saber o que você toma.

O que fazer se tomou um chá contraindicado

Se você tomou um chá contraindicado, não entre em pânico: uma xícara isolada raramente causa dano, mas avise o obstetra e conte qual planta foi usada e em que quantidade. Guarde a embalagem ou um pouco da erva para facilitar a identificação.

  • Procure atendimento imediato se houver: sangramento vaginal, cólicas fortes ou ritmadas, perda de líquido, diminuição dos movimentos do bebê, vômitos persistentes ou pele e olhos amarelados.
  • Em caso de suspeita de intoxicação: vá ao pronto-socorro ou à maternidade de referência; a equipe pode consultar o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) da região.
  • Na consulta seguinte: leve a lista de chás, suplementos e fitoterápicos que usa, para que o médico revise tudo junto com seus exames.

Informações gerais sobre o acompanhamento da gravidez e o pré-natal na rede pública estão disponíveis no site do Ministério da Saúde, e a Unidade Básica de Saúde mais próxima pode tirar dúvidas no próprio pré-natal.

Perguntas frequentes sobre chá na gestação

Qual chá gestante não pode tomar de jeito nenhum?

Arruda, poejo e artemísia estão entre os mais perigosos, porque têm fama abortiva e potencial tóxico. Canela, boldo, sene, cavalinha, alcaçuz, sálvia e espinheira-santa também devem ser evitados na gravidez.

Chá de erva-doce pode na gravidez?

O chá de erva-doce em pequena quantidade costuma ser tolerado, mas não é unanimidade entre os médicos, porque a planta tem compostos com ação semelhante a hormônios. O ideal é confirmar com o obstetra antes de transformá-lo em hábito.

Chá de hibisco é proibido para grávidas?

O chá de hibisco costuma ser desaconselhado na gravidez, porque estudos em animais sugerem efeito sobre hormônios e sobre o útero, e ele pode baixar a pressão. Vale checar o rótulo, já que ele aparece em muitas misturas de frutas.

Posso tomar chá gelado de caixinha ou lata na gravidez?

Muitos chás prontos são feitos de chá preto, verde ou mate, por isso têm cafeína e, em geral, bastante açúcar. Se consumir, conte a cafeína no total do dia e prefira as versões sem açúcar.

Chá de gengibre ajuda no enjoo da gravidez?

O gengibre é estudado para o enjoo e é aceito por muitos obstetras em dose baixa, mas não deve substituir a avaliação médica. Enjoo com vômitos frequentes, perda de peso ou dificuldade de se hidratar precisa de atendimento.

Depois do parto posso voltar a tomar qualquer chá?

Não necessariamente: durante a amamentação, várias ervas passam para o leite e podem afetar o bebê ou a produção de leite. Antes de retomar chás medicinais, converse com o pediatra ou com o obstetra.

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