Curso do CRN-5 aborda equidade racial, cultura alimentar e acesso à alimentação adequada.
O Conselho Regional de Nutrição da 5ª Região (CRN-5), que representa Bahia e Sergipe, lançou a Escola Antirracista de Nutrição para estudantes e profissionais. A formação propõe discutir como o racismo estrutural afeta a alimentação e o atendimento em saúde. O lançamento foi divulgado em entrevista publicada pelo Bahia Notícias em 20 de outubro de 2026.
Segundo a conselheira Taiane Cazumbá, que coordena a Comissão de Formação Profissional do CRN-5, o curso busca preparar nutricionistas para considerar a cultura, o território e as condições de vida de cada pessoa. A proposta também inclui o estudo de políticas públicas ligadas ao direito à alimentação adequada.
O que é nutrição antirracista
A nutrição antirracista é uma abordagem que relaciona o cuidado alimentar à equidade racial e à garantia de direitos, conforme explicou Cazumbá. Para ela, orientar alguém sobre o que comer exige entender onde essa pessoa vive, seus hábitos e suas referências culturais. A conselheira defende que a formação profissional não trate todos os pacientes como se tivessem a mesma realidade.
Como funciona a formação antirracista
A escola é um curso voltado a estudantes e profissionais de nutrição, com discussões sobre fundamentos, políticas e práticas de cuidado com equidade racial. De acordo com Cazumbá, a formação examina protocolos de atendimento e materiais educativos, além de abordar a nutrição no SUS e a segurança alimentar. A conselheira também cita a valorização dos conhecimentos alimentares de comunidades negras, quilombolas, terreiros e periferias.
Como o racismo alimentar se manifesta
Segundo Cazumbá, o problema aparece, entre outras situações, quando o atendimento nutricional desconsidera a memória alimentar, a cultura e o hábito de comer em família. Ela também aponta a presença de muitos alimentos industrializados em determinados territórios e defende que profissionais levem em conta as condições concretas de acesso à comida. Na avaliação da conselheira, recomendações individuais que ignoram esse contexto deixam de responder a parte das necessidades do paciente.
Qual é a relação com a insegurança alimentar
A formação relaciona racismo, condições sociais e acesso à alimentação adequada. Cazumbá afirma que a insegurança alimentar é uma preocupação na Bahia e que dificuldades financeiras podem levar famílias a reduzir gastos com comida. Por isso, segundo ela, o trabalho do nutricionista deve considerar tanto o atendimento individual quanto as políticas públicas de alimentação e saúde.

