Documento cita suspeitas envolvendo o ex-bastonário da Ordem dos Médicos Miguel Guimarães; deputado não teve manifestação informada pela fonte.
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS), de Portugal, enviou ao Ministério Público uma denúncia que inclui suspeitas relacionadas à promoção da vacinação contra a covid-19 durante a gestão de Miguel Guimarães na Ordem dos Médicos. A informação foi confirmada pela entidade à CNN Portugal, que publicou o caso nesta sexta-feira (25).
Segundo o documento obtido pela emissora, há indícios de favorecimento de interesses privados e de possíveis contrapartidas ligadas à promoção da vacinação. Guimarães presidiu a Ordem dos Médicos entre 2017 e 2023 e hoje é deputado pelo PSD.
O que consta na denúncia
A queixa reúne alegações de possíveis crimes como abuso de poder, abuso de confiança, peculato, corrupção passiva, participação econômica em negócio e prevaricação de titular de cargo político. A remessa ao Ministério Público ocorreu porque a IGAS considerou que poderiam existir fatos de natureza criminal, fora de sua atribuição direta.

Além do tema da vacinação, o documento menciona supostos gastos excessivos com hospedagem e transporte, inclusive em hotéis de cinco estrelas, e possível uso não oficial de veículo institucional. Também há acusações de interferência em processos disciplinares de profissionais e de articulação político-sindical dentro da Ordem dos Médicos.
A fonte não informou uma manifestação de Miguel Guimarães sobre as alegações. As denúncias foram encaminhadas ainda ao Ministério da Saúde, à Procuradoria-Geral da República, à Ordem dos Médicos e à Polícia Judiciária portuguesas.
Tramitação do caso
A IGAS recebeu a queixa em 29 de outubro de 2025. De acordo com a CNN Portugal, o inspetor-geral abriu um processo no fim daquele ano e a denúncia foi enviada ao Ministério Público em agosto.
Datas citadas na apuração da CNN Portugal e pela IGAS.
- 2017 a 2023Gestão na OrdemPeríodo de Miguel Guimarães
- 29 de outubro de 2025Queixa recebidaRecebida pela IGAS
- agostoEnvio ao MPProcesso remetido pela IGAS
Os autores da queixa dizem ter aguardado para apresentar as acusações por medo de represálias e constrangimentos enquanto o denunciado estava no cargo. O envio do caso ao Ministério Público não representa confirmação das suspeitas, que ainda dependem da análise das autoridades competentes.
Próximos passos
O Ministério Público deverá avaliar o material remetido pela IGAS e decidir sobre eventuais medidas no caso. A IGAS confirmou apenas que o processo estava em curso e que o encaminhamento havia sido feito em agosto.
Com informações de cnnportugal.iol.pt.
Foto de capa: Agência Lusa/Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

