Michael Azerrad relaciona a permanência do disco à busca por uma música percebida como autêntica.
O álbum Nevermind, do Nirvana, completa 35 anos nesta quinta-feira, 24 de setembro. Lançado em 1991, o disco transformou a trajetória da banda liderada por Kurt Cobain e ajudou a levar o rock alternativo ao grande público.
Em entrevista ao Estadão, o jornalista Michael Azerrad, biógrafo do Nirvana, afirmou que o álbum segue atraindo novas gerações por transmitir algo que ele associa a “coração e alma”. Para ele, porém, a música já não ocupa o mesmo papel unificador entre os jovens em um ambiente marcado por redes sociais, jogos e plataformas digitais.
Da expectativa modesta ao topo das paradas
A gravadora David Geffen Company enviou 46.251 cópias de Nevermind às lojas dos Estados Unidos quando o álbum chegou ao mercado. A expectativa era atingir o disco de ouro, então concedido a trabalhos com 500 mil cópias, em um ano.
A marca foi alcançada em apenas um mês, segundo o Estadão. Em janeiro de 1992, o disco assumiu o primeiro lugar da Billboard 200, ultrapassando Dangerous, de Michael Jackson.
O que mantém o disco em circulação
Azerrad atribui parte da permanência de Nevermind à composição de Cobain e à forma como o álbum foi gravado. O biógrafo afirma que o resultado funciona em diferentes situações de escuta, como rádio, shows, fones de ouvido e alto-falantes de notebooks.
Canções como Smells Like Teen Spirit, Come as You Are, In Bloom e Lithium continuam influenciando músicos populares e artistas do circuito underground, de acordo com a reportagem. O álbum soma 30 milhões de discos vendidos no mundo e cerca de 18 bilhões de reproduções em streaming, conforme estimativa do ChartMasters citada pelo jornal.
Fama e saúde mental de Kurt Cobain
Na entrevista, Azerrad também menciona o impacto traumático que a fama teve sobre a saúde mental de Kurt Cobain. O jornalista lançou a biografia Come as You Are: A História do Nirvana seis meses antes da morte do músico, em 1994; a obra ganhou edição ampliada em 2024.
O biógrafo avalia que a fragmentação atual do público torna menos provável que uma mudança musical alcance a dimensão de massa que o grunge teve nos anos 1990. Segundo ele, Cobain previa que tecnologias conectadas a computadores ocupariam parte do espaço de comunidade antes associado ao rock, algo que ele relaciona à força posterior dos jogos multijogador e das redes sociais.
Números de Nevermind
| Marco | Dado |
|---|---|
| Cópias distribuídas no lançamento nos EUA | 46.251 |
| Meta inicial de vendas | 500 mil cópias |
| Vendas mundiais | 30 milhões de discos |
| Reproduções em streaming | Cerca de 18 bilhões |
Dados de lançamento, vendas e reprodução do álbum.
- 46.251 cópiasDistribuição inicialnas lojas dos EUA
- 500 milMeta inicialcópias para disco de ouro
- 1 mêsMeta atingida
- 30 milhõesVendas mundiaisde discos
- 18 bilhõesStreamingcerca de reproduções
As técnicas de produção também ajudaram a tornar o disco mais acessível, segundo Azerrad. O produtor Butch Vig usou recursos como reforço da bateria com samples, vozes dobradas e repetições feitas com cortes e emendas em fita; depois, Cobain buscou uma sonoridade mais crua em In Utero, produzido por Steve Albini.
Com informações de Estadão.
Foto de capa: Joe Mabel/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

